quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Siloque lança o Guia Prático de Como Fazer Inimigos

Siloque
Esse blog não é especializado em rap e hip hop. Mas esse trabalho de Siloque me chamou a atenção pelas letras diretas e contundentes, como é no punk também. E Siloque se mostra punk nesse trampo, chegando de voadora no peito da hipocrisia dessa sociedade conservadora e predatória, mostrando de fato o perfil do tão falado “cidadão de bem”. Sendo assim, não tenho porque não divulgar esse trabalho aqui no blog!
Oriundo de Águas de São Pedro e atualmente vivendo em Jaguariúna, ambas as cidades de SP, o rapper possui três discos solo: “Queime o Coração de Gelo”, de 2016, “Nova Inquisição”, de 2017. E o novíssimo EP “Guia Prático de Como Fazer Inimigos”, é o terceiro trabalho do rapper, e nesse registro conceitual, a inspiração vem do caos politico que o Brasil vem atravessando e traz um panorama da sociedade que vem “batendo palminha pra louco dançar”, como versa em uma de suas faixas.
O "Guia Prático de Como Fazer Inimigos" foi idealizado graças a um esforço coletivo entre Siloque, o portal Submundo do Som, MilGrauTape Studio e Firefish Design, que se juntaram no objetivo comum de trazer um trabalho preciso para o rap nacional.
Como o nome sugere, Siloque assume uma postura e não se isenta. Diferentemente do padrão atual do rap, o MC não fica em cima do muro. O álbum possui seis faixas e foi gravado e mixado no MilGrauTape Studio, em Jaguariúna/SP, e contou com a participação do rapper Teagacê, de Natal/RN, do rapper Sé, de Itu/SP e do grupo Synestesia de Jaguariúna/SP. Os instrumentais ficaram por conta de Flavvour Beats, com exceção de dois beats, um feito por Léo Machion e o outro de autoria do próprio Siloque, sob a alcunha Silasman, que também assina a produção do disco, além de Jeff Ferreira na produção executiva.
A faixa que abre o EP é um tapa na cara da intolerância e da manipulação através das mídias sociais e eu quero deixar a letra aqui na íntegra:
Fake News

Eu não!
Eu não!

Vocês se alimentam de fake news.
Vivem por likes e views!
Sinto que falta-lhe skills!
Minto! Lhe falta vergonha na cara,
vocês invocaram esses dias sombrios.
Claro que nunca cê sabe de nada,
batendo palminha pra louco dançar.
Batendo palminha, tirando fotinho,
fazendo dancinha, eu não vim pra brincar!
Destrava o caminho, cuzão!
Coração de gelo, cuspindo fogo!
Tem empecilho na sua ilusão.
É o sétimo selo e tá feio esse jogo!
Essas crias de Hitler saíram do armário,
esse bando de otário a se manifestar.
Sinais de que nada vai bem.
Decide, meu bem. De que lado cê tá?
A banda podre comemora assassinato.
E a bandeira pega fogo, suja seu porcelanato.
E a vontade é meter o louco e fugir pro meio do mato.
Olha o que tá acontecendo em sua volta, é tudo fato.
Cê num enxerga porque é burro demais!
É burro demais e não quer
dar seu braço a torcer.
É burro demais!
Limitado demais pra poder perceber.
Que vai faltar sangue pro clã dos vampiros.
Querem ver mortos! Querem ver tiros!
Querem esse povo saindo de giro,
com a vida indigesta, faltando respiro. 
Pros conservadores não mostrem mamilos,
Ostente suas armas, levante pro ar!
Leia um trecho da bíblia pro amigo!
Cê finge que entende, e ele volta a pecar.
A revolta começa do lado de cá,
do lado de casa, do lado da sua!
O lado que um dia eu escolhi pra ficar,
é o mesmo de sempre, até a sepultura. 
Cultura de estupro! Jack pastores!
Bancada evangélica = Escola de atores. 
Cultura bélica pros opressores.
Maquiavélica, ao vivo e a cores!
Polícia golpista bate em professores, 
em prol dos bandidos e seus assessores.
Assalto sem arma, inversão de valores!
Salve Tia Clóris, Tia Alice e Dolores.
Brasileiro quer vantagem!
Fala do político, é semelhança e imagem!
Na mesma posição faria as mema piolhagem!
Cê tá ligado, é papo reto, não é viagem!
Não é viagem!
Cromossomos com defeito.
Sob efeito todos estamos.
Todos somos mau exemplo,
onde quer que estejamos.
A paz mental que vai.
Os comensal que traem.
Nesse caos eu tô no fole
e os bunda mole é os primeiro que cai! Ai!
É tão difícil debater
com esses crustáceos.
Vai ver fuder na rede em pé,
talvez seja mais fácil.
Em que ponto de vida você decidiu
“Agora vou ser um babaca”?
Talvez tenha sido já de juvenil,
não desenvolveu suas ideia que é fraca!
Aqui é sem fraude, padre!
Não é fugazi, nazi!
Maluco? Já tô quase!
Mas da sua laia eu tô legal, cuzão!
A gente fica decepcionadaço!
Tem pouco circo pra empregar tanto palhaço!
Cês só refletem a escrotidão do seu fracasso!
Se eu falar, cê não acredita,
então registra esse golaço!
Campanha grátis também faço,
contra a estupidificação! 
Cês calado são poetas,
e melhor dormindo, então!
Uma mutação escatológica!
Quanto mais tenta entender, 
piora! Não tem lógica.
Tipo um paradoxo, piratox!
White pardos, cientólogos e ancaps.
Em busca da terra plana,
na era do Google Maps.

Dá o play e se liga!!!
Contatos:
Facebook.com/siloqueoficial
Email: siloqueoficial@gmail.com
Com Assessoria de Jefferson F. Wesolowski
Email: jefferson.wesolowski@gmail.com
Fone (19) 9 8298 8212

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Asfixia Social dá a voz em novo single

Asfixia Social
Em tempos sombrios em que a política nacional está sendo discutida entre Ditadura ou Democracia, o empoderamento é a ação social coletiva de participar de debates que visam potencializar a conscientização civil sobre os direitos sociais e civis. Esta consciência possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva necessária para a superação da dependência social e dominação política.
E empoderamento é o tema de “Nóiz tem a Vós”, novo single do Asfixia Social. O grupo, baseado no ABC e Zona Sul de São Paulo, chega com rimas diretas quando diz: "Não se trata da história deturpada nos livros/Mas da versão dos nativos sobre seus assassinos/Que controlam governos, controlam eleições,/Com estratégias de dominação e emburrecimento."
 E, quase como numa poesia falada, convida todos para pensar acerca de nossa identidade cultural, sobre o Brasil e o mundo a partir de nossa história e referências locais, estimulando uma reflexão sobre as realidades de toda a América e sua afro-latinidade.
Em “Nóiz tem a Vós”, Kaneda Mukhtar (Voz, Trompete e Trombone), Rafael Santos (Guitarra), Leonardo Oliveira (Baixo), Marcelo Sampaio (Guitarra) e Rodrigo Silva (Bateria) se juntam a um time internacional de artistas convidados para falar da importância do conhecimento da própria história e do poder que emana do povo que conhece suas raízes.
Com uma mistura de rap, soul, rock, música brasileira e caribenha, o novo single e lyric video conta com as participações do MC cubano El Cepe (integrante do grupo La Invaxión a Occidente), do trompetista italiano Gabriel Rosati, do trombonista Itacyr Bocato e do percussionista Rafael Franja, e tem como tônica o empoderamento do povo e o entendimento de que a arte é um elemento capaz de questionar padrões, alterar estruturas e propor um novo jeito de viver em sociedade.
MC cubano El Cepe participa de “Nóiz tem a Vós” 
O single mostra o que está por vir no próximo álbum da banda, “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”, que será lançado no início de 2019 em formato de Livro-disco, incluindo ilustrações de crianças e adolescentes de 10 escolas públicas e instituições culturais da Grande São Paulo por onde o grupo realizou oficinas e shows. Nela o Asfixia Social deixa seu recado: só juntos somos resistência e capazes de transformar o mundo no lugar que desejamos.
No vídeo do single “Nóiz tem a Vós”, é mostrado o grupo em estúdio durante a gravação em São Paulo, nos Estúdios Top Noise, e na cidade de Artemisa, Cuba, onde reside o MC El Cepe. Dê o play!

domingo, 26 de agosto de 2018

Geração Suburbana lança novo CD

Rafa, Júlio e Felipe formam a banda.
Formada em 2003, a Geração Suburbana foi idealizada por Júlio Pelloso na sua adolescência.
Agora em 2018 a banda lançou o CD “Vivemos Presos”, de forma  independente. O projeto foi financiado pelos próprios fãs do grupo, através de uma campanha de arrecadação no site Catarse e teve apoio dos selos Weirdo Discos, Crise Produções, Feio Records, Resista e também do Tosco Todo-Selo de Divulgação. 
Conversei com Júlio sobre o lançamento e sobre a história da Geração Suburbana. Saca aí!
Júlio durante gravação do novo CD.
Primeiro queria que você falasse como o punk rock surgiu na sua vida?
Júlio Pelloso - Quando criança eu escutava rock com meus pais e sempre tive identificação maior com as bandas que tinham uma mensagem além da música. Com 11 anos eu tinha umas letras e vi que a melhor forma de apresentá-las era com o punk rock.
Sobre as bandas, comecei ouvindo Ramones e The Clash e depois fui para as bandas nacionais. Meses depois estava eu com documento falso pra entrar no show do Cólera no Hangar 110.

E quando foi que a Geração Suburbana entrou nessa história?
Júlio Pelloso - Aos 13 anos, montei com um amigo da escola minha primeira banda. O Autópsia 83, o Gustavo (Merdinha) não sabia tocar baixo, então ensinei ele algumas notas e começamos a dar vida, da forma mais simples e tosca, as nossas músicas. Logo depois convidamos o Diego (Japonês) para bateria e o Felipe (Lilika) para guitarra e completamos a banda. Fizemos alguns shows, e durou aproximadamente dois anos, mas musicalmente pensávamos muito diferente e começaram alguns desentendimentos, coisa de moleque que éramos.
Depois que acabou fiquei um ano sem tocar e triste que não tinha mais onde expressar o que sentia. Na época, engajado no punk, eu tentava que meus textos fossem publicado em fanzines e não dava certo. No meio da frustração peguei meus escritos e pensei; "estou estudando música, é uma área que gosto, tenho que montar outra banda!"
Chamei meu irmão pra tocar baixo e um amigo meu disse que ia arrumar um batera. Então chegou o Felipe e disse que podia tentar tocar. Passamos uma semana ensaiando todos os dias nos fundos da minha casa. E no final da semana já tínhamos 14 sons que se transformam na nossa primeira demo.

Essa primeira demo foi de quando?
Júlio Pelloso - 2004. A banda surgiu em  Junho de 2003 e no início de 2004 já gravamos. Pegamos 2 horas de estúdio e fizemos gravação ao vivo tocando tudo como se fosse um show. A qualidade era péssima, gastamos 80 reais ao todo.

Depois não lançaram mais nada?
Júlio Pelloso - Em 2006 lançamos mais 7 músicas em um split com a banda Disastri77 (Deturpados) e a Tia Lurdes, com qualidade um pouco melhor, mas ainda foi gravação ao vivo. Todas essas demos a gente vendia em porta de show a 2 reais. Tirávamos xerox da capa, gravávamos em CD-R e colocávamos em um saquinho.

E agora em 2018 veio o CD? Porque esse tempo todo pra conseguir lançar?
Júlio Pelloso - Exatamente, embora o novo CD tenha sido gravado em 2017, nós tivemos muitas dificuldades no caminho. Eu e o antigo baixista começamos a nos profissionalizar na carreira de músicos. Eu toco violoncelo profissionalmente e ele baixo acústico. Como não é novidade, viver de música não é fácil e como não nascemos em berço de ouro, enquanto estudávamos não tínhamos grana pra muita coisa. Quando começamos a tocar profissionalmente perdíamos os finais de semana com concertos e freelas. Tanto que teve um ano que a Geração Suburbana fez apenas um show e muita gente achou que tínhamos acabado. 
As coisas foram melhorando com os anos e assim eu banquei do meu bolso a gravação do último álbum. Mas quando ficou pronto, minha filha nasceu e não tínhamos grana pra lançar. Com isso surgiu a ideia do financiamento coletivo que viabilizou nosso CD.
Vivemos Presos - Arte por Leandro Franco
E nesse CD entrou boa parte das músicas das demos. Tem umas inéditas também, né?
Júlio Pelloso - Vivemos Presos, A Bomba, Dona Maria, além de um Bach no violoncelo, como faixa oculta.

Dona Maria entrou no final de "A bomba".
Júlio Pelloso - Isso, bem lembrado!
É como na música clássica. Essa musica é como se fosse um concerto grosso na época do barroco. Começa hardcore, tem um segundo movimento mais lento e termina pra cima.

O CD foi financiado de forma coletiva pelos fãs, como foi para vocês quando perceberam que as pessoas queriam ver o CD novo da Geração Suburbana?
Júlio Pelloso - Foi uma surpresa bem positiva. Sentimos que nesses 15 anos fizemos amizades verdadeiras no punk e tem muita gente torcendo por nós.
Ouça aqui uma música do CD
E agora, quais os planos?
Júlio Pelloso - Temos alguns shows de lançamento do álbum para marcar entre outubro e novembro. Para o começo do ano que vem pretendemos fazer shows fora de São Paulo. Quem sabe não rola até um em Conquista?

Massa, serão bem vindos por aqui! Valeu pelo papo, o espaço é seu pra falar o que quiser:
Júlio Pelloso - Queríamos agradecer a você e toda galera que nos apoia e incentiva esses anos todos. Muito obrigado!
Para galera que leu até aqui. Continuem apoiando a cena da sua cidade, do seu bairro. Incentive as bandas, comprem CDs, camisas e, principalmente, vá aos shows. Valeu!
Para adquirir o CD entre em Contato: