segunda-feira, 23 de julho de 2012

Entrevista com o Allan da Guerra Urbana

Mantendo o objetivo do blog Tosco Todo, vamos divulgar mais uma banda que anda movimentando o underground no nordeste. O papo de hoje é com o Allan, baterista da banda Guerra Urbana da cidade do Recife-PE.
Allan, batera da Guerra Urbana

1-Quando surgiu e o que levou vocês a formarem uma banda?
Allan-A banda surge em maio de 2007 aqui no bairro do ibura extremo sul de recife; subúrbio geral; em 2006, eu e o primeiro guitarrista Nielson, saímos da Morgue outra banda que tocávamos e estávamos com um projeto em mente, pensávamos em fazer uma banda de grind core, mas optamos por tocar um som mais ligado ao que curtíamos mais, que era punk hardcore oitentista, então, em um som no subúrbio encontramos Dayane uma amiga que não via a um bom tempo; eu e Nielson a convidamos para ser a vocalista; depois se juntou a nós André: vocal e Flávio (duxo) no baixo; e a banda tava completa. Nosso intuito em formar a banda era expressar as questões que nos cerca em relação às dificuldades que nós suburbanos temos em sobreviver nesse mundo capitalista que nos impõem miséria sempre! E desigualdades das mais diversas; por isso Guerra Urbana; travamos ela todos os dias pela nossa sub-existência; no passado participei de outras bandas punks; que não tiveram uma longevidade na sua história, porém agora a coisa está diferente; atualmente está na banda: eu na bateria; André e Fernanda nos vocais, Flávio(duxo) baixo e Raul na guitarra!

2-Quais eram as influências musicais nessa época?
Allan-Então como disse anteriormente, som punk dos anos 80, mas fundimos tantas coisas em nossos songs que podemos dizer que temos uma influência 77, também de bandas crust, muitas do universo musical punk... Podemos citar algumas: NAUSEA, AUS-ROTTEN, OLHO SECO, CÓLERA, INVASORES DE CÉREBROS, ELEKTRODUENDES, ANTICHISM, POST REGIMENT, DISCHARGE entre muitas...

3-E hoje, o que a banda anda ouvindo?
Allan-Atualmente escutamos as mesmas coisas do passado tão presente; tem bandas que não são tão novas que conhecemos a pouco tempo e estamos ouvindo constantemente e acabam nos influenciando de certa forma, elas são: SS-KALIERT, PESTPOCKEN, PANX ROMANA, ACIDEZ, CHAOS OF SOCIETY, AUWEIA, PRAWO DO JAZDY...

4-Como anda a cena aí em Recife? Existem bandas que tem um trampo bacana aí na periferia, como o Devotos, por exemplo...Vocês tem contato com essa galera?
Allan-A cena em recife está em um período muito intenso; está acontecendo muitas gig´s e está muito bom! As bandas estão produzindo mais do que em outras épocas, vemos a necessidade de registrar! Precisa de mais intensidade, porém vejo que o caminho está sendo traçado; há uma fusão entre diversas pessoas, a questão não fica mais na limitação de certo grupo que se posiciona de certa forma ideologicamente, isso está sendo abolido e as pessoas estão se conectando, sempre há gig´s com bandas do movimento punk e com bandas que não são punks, mas é visível que essa proximidade tem um bem comum que é a luta antifascista e as propostas libertárias que as mesmas têm independente de postura punk! Todos tem um propósito singular, lutar por eventos mais autônomos e transformar sua realidade local tornando os espaços undergrounds um local em que você possa circular sem ter “medo” de alguém ou reprimido por não fazer parte de um determinado grupo, as coisas estão seguindo assim em recifede! A integração entre as pessoas está mais fluente do que antes; sobre os Devotos, no passado era uma banda que participava do movimento punk, não acompanhei esse período que foi nos 80; começo dos 90; eles tem uns projetos que fazem com a comunidade; não temos contato com eles! Os caras participam de eventos maiores na cidade que poucas vezes conta com alguma banda do underground recifense; aqui nós da Guerra Urbana sempre fazemos eventos no nosso bairro; muitas vezes aberto ao público, sem apoio do estado e outros manos daqui fazem o mesmo em seus bairros como o caso da Nark de dom Helder, Mente Podre, Lei do Kaos fazem o mesmo nos seus bairros; tem o pessoal de Maranguape também que faz um trampo massa no seu subúrbio, é a galera das bandas Arquivo Morto, Nação Corrompida; e tem a galera do Pina também que está na ativa novamente; eles fazem sempre uns eventos multiculturais por lá, os manos da companhia de amores miseráveis.
Guerra Urbana em ação!!!

5-Em 2010 vocês lançaram o primeiro CD "Exterminio, ganância e poder", o que gerou esse disco? E está disponível para download?
Allan-Nós mesmos lançamos no espírito faça você mesmo na intenção de propagar e registrar aquilo que se tornaria o nosso primeiro passo em relação ao registro musical da banda; estávamos no momento sem guitarrista; quem gravou tudo foi Flávio (duxo) nosso baixista; ficou total cru; a partir daí, começamos a difusão maior da banda que só era divulgada em apresentações ao vivo e no myspace, o CD era o que estava faltando pra maior divulgação e foi o que aconteceu começamos a ter mais contatos no Brasil e no exterior por conta do material físico; conseguimos participar de várias coletâneas e nosso disco foi lançado em outros países; agora a pouco colocamos ele disponível para download gratuito no site undersound e nossa amiga zoyki da banda Repressão Social do Rio de Janeiro colocou no 4 shared e ele está disponível para download lá também; ela fez isso para disponibilizar em seu site Human Distressed; que também é o nome do zine que ela faz.
Primeiro CD da Guerra Urbana

6-Esse disco também teve uma versão mexicana e outra argentina, como que surgiu esse interesse dos hermanos?
Allan-Sobre o contato no México foi o seguinte, nossa amiga minha a Hellen que participa até do nosso disco em uma faixa, a música prisão domiciliar na intro do som; ela sempre falava com o Santero o baterista da banda MASSAKRO de Tijuana o mesmo tem uma Distro chamada TERCERMUNDISTAS RECORDES; ele perguntou a Hellen quem organizava gig´s punks em Hellcife e ela passou o nosso contato ai começamos um contato e o mesmo se interessou pela banda e teve o interesse de lançar nosso disco lá no México; com uma versão mexicana com capa e encarte diferente do nosso lançado aqui; com isso muitos mexicanos e norte-americanos entram em contato conosco a partir desse lançamento lá; e na argentina o Ramon da Volátil Distro pegou nosso som pela net e viu também uma coletânea que saímos lá, na argentina para o Acracia Fanzine o mesmo entrou em contato conosco e teve o interesse de lançar o disco lá com uma versão argentina igual ao México teria arte diferenciada da versão brasileira.
Versão Argentina do Primeiro CD

7-Além disso a banda tem participado de muitas coletâneas. Os contatos são pela net ou ainda utilizam as velhas cartas?
Allan-Os contatos são em sua maioria pela net; mais as cartas são sempre utilizadas; hoje mais para enviar material, recebê-los; a troca de ideias é feita pela net; até por que é mais barato e rápido.

8-Em quais coletâneas podemos encontrar a Guerra Urbana?
Allan-Principio y Fin- Acracia Fanzine vol. 8 argentina; Independent and free – varken recordes indonésia. Explosão Punk-vol.1 ao vivo em recife; split Guerra Urbana e Subversivas/MA- Crosta Móida Produções; Fanzine Meus Amigos Bebem Muito Café vol.3 São Paulo; De coca-a-cola vol.8 Belém/PA; Compilado Anticarcelario em apoyo a Freedy, Marcelo y Juan, Argentina; Punk To The Bone – Delapidated Records, EUA; Endless Hell – Trhone of lies Records, EUA.
As Coletâneas internacionais sempre contam com bandas de várias partes do planeta.
Coletânea  Endless Hell (EUA) com a Guerra Urbana

9-A banda tambem tem tocado fora do estado de Pernambuco. Conte-nos como rola os convites e como foi esse rolé?
Allan-Fomos para o rio de janeiro ano passado 2011 em novembro foi muito massa para nós conhecer outra realidade e tocar lá; esse ano iremos para lá novamente em novembro e aproveitando vamos fazer mais duas apresentações em São Paulo e vamos tocar agora em setembro em natal-RN; temos alguns convites para irmos para outros estados, queremos ir muito ai Nem em Salvador tem um pessoal que tem interesse em fazer um som nosso ai, esperamos tocar ai com a CAMA DE JORNAL; os convites vão fluindo o pessoal que curte o som se interessa em ver a banda ao vivo; muita gente que organiza som quer fazer a gente em suas cidades o que nos impede de ir a todos os lugares que nos chamam é o dinheiro; mas acredito que aos poucos vamos conseguindo mapear esses locais e vamos chegando a eles é isso que planejamos e estamos colocando em prática.
Guerra Urbana no Rio de Janeiro

10-E o que esperar da Guerra Urbana para 2012? Vem um CD novo por aí?
Allan-Esperamos conseguir tocar em mais locais! Fora de recife! E estamos gravando já o segundo disco; daqui para o fim do ano sai o segundo! Estamos vendo os contatos os apoios para fazer essa nova produção; o som agora vai está mais bem gravado do que o primeiro, todos irão perceber a mudança, achamos que é positiva quem nos ver ao vivo já saca o que tem por vir! É só aguardar. Já enviamos duas canções inéditas para o nosso mano Santero do México; vai sair um 4 way split ep 7rpm pela tercermundistas recordes com as bandas Massakro tijuana/MEX, San Diego/EUA, Motorized Tijuana/MEX, Death From Above Goiânia/BRA.
11-Rapaziada, o espaço é de vocês para dizer o que quiserem:
Allan-Valeu Nem Tosco Todo! Pelo suporte. Vemos-nos em breve nesse mundo do underground punk tudo pode acontecer; Valeu a todos os leitores! Um grande abraço! Quem quiser entrar em contato conosco segue:
A/C Guerra Urbana
Rua do campo, 101 UR-12
Ibura CEP: 51330-440
Recife-PE.
E-mail: Allan.victor.kevin@hotmail.com ou guerraurbana@hotmail.com Facebook:www.facebook.com/guerra.urbana1
Ouça aqui: www.myspace.com/guerraurbana

4 comentários:

Glieldson Alves disse...

Entrevista muito boa.. Informações legais da banda e do cenário underground atual aqui na Grande Recife!!! Parabéns ao Blog e a Guerra Urbana.

Guill - Arquivo Morto.

Pato Mccoy disse...

Bacana a entrevista do Allan sobre o Guerra Urbana e a cena Recifense! EhNoix!

"Fazer por nos mesmos, o que ninguém nunca fará!"

NEM, TOSCO TODO - SELO DE DIVULGAÇÃO disse...

Valeu Rapaziada!!!
Essa é a proposta do blog, divulgar bandas que estão movimentando o underground, seja onde for!!!

Guerra Urbana disse...

êra punk!