Hoje apresento mais uma banda da cidade de Feira de Santana-BA. Cidadão Dissidente. Conheci o Egberto, vocalista, em 2009 durante um show do Cólera na cidade de Simões Filho-BA. A banda do Egberto está em fase de finalização do novo CD, previsto ainda para 2012. Acompanhe e saiba mais sobre isso e toda a história da Cidadão Dissidente:
Egberto Insano - Cidadão Dissidente
1-O que levou vocês a montarem uma banda em 2007 na cidade de Feira de Santana-BA. De onde veio o nome Cidadão Dissidente? E quais eram as influências?
Egberto - Há muito tempo antes do inicio da Cidadão Dissidente, que eu já tinha feito parte de uma ou outra banda local, porém nada sério, e nem nada meu mesmo no qual eu pudesse expor as minhas ideias...Porém, no ano de 2006, após eu ter sido convidado a tocar em um tributo a Renato Russo, resolvi desenterrar essa idéia, e fui em busca de pessoas, músicos, que estivessem afim, que topassem fazer parte deste projeto....O nome Cidadão Dissidente, foi escolhido por dois motivos: Logo de cara eu queria um nome composto pra não rolar de futuramente eu encontrar uma outra banda com o mesmo nome nosso, coisa que ocorre muito quando você coloca um único nome em uma banda... E o segundo motivo, foi após eu pensar em várias combinações de nomes que ficassem bem de acordo com o que pensamos, com o que é o nosso som , me veio o Cidadão Dissidente: CIDADÃO = Pessoa de bem...DISSIDENTE = Aquele que não aceita fazer parte do que não concorda com as regras, para poder montar o seu próprio grupo e fazer da forma que melhor acha correto...CIDADÃO DISSIDENTE: Cidadão formador de opinião...Sobre nossas influências , essas vêem desde a década de 50 até mais ou menos os dias de hoje : Elvis, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry , Ramones, Clash, Buzzcocks, Sex Pistols, Dead Kennedys, The Cure, The Smiths, Replicantes, Plebe Rude, Legião Urbana, Inocentes, Cólera e etc.
Egberto em estúdio com a Cidadão Dissidente
2-Como era a cena local nessa época? Acontecia shows com frequência aí na cidade?
Egberto - Na época do inicio da Cidadão-D, a cena local tava meio que parada, algumas bandas mais antigas tinham dado um tempo, uma parte da galera que colava em shows tava meio que sumida...Mas mesmo assim rolava vez ou outra um ou outro sonzinho e talz...Tipo, foram até coisas deste tipo que nos levaram meio que a começar a produzir alguns eventos lá pelo fim de 2007...Pra ver se voltava a movimentar a cena Rock N Roll local.
3-A cidadão Dissidente gravou um ensaio/demo naquela época. O que esse material gerou para a banda?
Egberto - Pow man, a gravação da demo em 2007 foi bastante legal...Tipo, deu para as pessoas que se interessaram pelo nosso material terem uma ideia da nossa proposta sonora, e foi através dessa demo também que começaram a rolar convites pra tocar em festivais em outras cidades e talz...Começaram também a rolar alguns convites para abrir shows de bandas maiores e mais tradicionais.
Demo/ensaio de 2007
4-A banda já tocou com nomes consagrados do rock brasileiro. Como surgiam esses convites? E qual show foi inesquecível na sua opinião?
Egberto - Porra!!! Inesquecível mesmo pra mim foi o show com o Cólera...Porra!!! Tocar com uma banda da qual você curte o som desde pivetinho é algo fodástico!!! Neste meio tempo também fomos convidados a abrir shows pro Cascadura e pro Matanza, também foram experiencias legais, pois pequenos convites e conquistas como essas é que fazem a gente ver que vale a pena insistir e lutar sempre e sempre pelo que nós acreditamos.
Cidadão Dissidente tocando em simões Filho-BA com o Cólera
5-Em 2010 a Cidadão Dissidente lança o EP "No silêncio Da Noite". Nessa gravação a banda ainda mantinha a mesma formação inicial de 2007?
Egberto - Infelizmente não tínhamos mais a mesma formação que iniciamos o projeto da banda não...É foda man!!! Cada pessoa é uma cabeça e cada cabeça é um mundo...Foram rolando vários e vários problemas internos, problemas comuns entre bandas, que nem valem a pena o cara comentar...Hoje, da formação original só estou eu e Igor Santos(baixo), mas o importante é que estamos vivos, na luta, na batalha, e a cada dia que passa estamos mais felizes com o nosso trabalho.
EP de 2007
6-Alguns meses depois a banda lança o Single "Anjo Atormentado", que depois gerou até um video clipe. Como que rolou essa produção?
Egberto - Pow man, coisas e coincidências da vida mesmo...Tipo, eu conheci aqui em FSA um rapaz chamado Diego que cantava em uma banda de Post Punk, ele estava de partida para SP, pois ia meter as caras em uma faculdade de cinema...O tempo foi passando, e logo após a gravação do nosso single "Anjo atormentado", eu encontrei o Diego aqui pelo facebook e ele me mostrou uns curtas que ele estava produzindo, de cara me veio a ideia de fazer um clipe de nossa música num formato de curta, somente as cenas interpretadas por um ator, sem a presença de imagens da nossa banda...Bom!! O Diego gostou, levou a idéia pra sua turma de cinema lá em SP, a galera adorou a idéia, e o clipe foi rodado e talz...
Single Anjo Atormentado-2007
Clipe da música "Anjo Atormentado"
7-E agora, o que a Cidadão Dissidente tem de novidade? Algum material novo no forno?
Egberto - No momento, no dia 01 de novembro de 2012 estaremos lançando o nosso primeiro CD oficial, intitulado "Antigas Novidades & Novidades Antigas", é um CD com 12 faixas, destas 12 faixas serão 3 músicas novas, 5 regravações de músicas nossas antigas rearranjadas, e mais 4 músicas bônus , retiradas de gravações demos tosconas que fomos fazendo aí pelo caminho...O nosso show de lançamento ocorrerá aqui em FSA na Boate Offsina Music Lounge, no centro da cidade...No Dia 01 de Novembro (Véspera do feriado de finados), ingresso R$ 8,00...Show: A VOLTA DOS MORTOS VIVOS!!!
Capa do novo CD do Cidadão Dissidente
8-Valeu, véio. Obrigado pela atenção, o espaço é seu para acrescentar algo que não perguntei, e também para deixar os contatos e considerações finais:
Egberto - Pow man, eu gostaria muito de agradecer a você pela oportunidade de falar um pouco sobre mim e sobre o nosso trabalho musical, e de maneira alguma não posso de deixar de te dar os parabéns pelo apoio a cena independente que você vem dando de maneira mais que relevante através do seu blog, de suas divulgações de eventos, e também pela gigantesca contribuição que a Cama de Jornal vem dando à cena Punk baiana, dando voz ao subúrbio, metendo o dedo na ferida de muita gente.. Parabéns mesmo man, e qualquer coisa que eu puder ajudar e estiver ao meu alcance, estamos aqui!!
A entrevista de hoje é com o Emanuel Jr. da banda Aorta. Formada em meados de 2000 no bairro de Afogados, Recife-PE, co-fundadora do movimento Farinha do Rock, junto a outras bandas da cena local, a Aorta está prestes a lançar um novo material. Acompanhe aqui e saiba mais:
Emanuel Jr.- Guitarra e vocais da Aorta
1-Primeiramente quero que vocês nos contem em que circunstância foi formada a banda Aorta, e em que ano isso aconteceu?
Emanuel Jr.-Bom, o início foi uma longa história ligada à outra banda, mas para encurtar, fui simplesmente expulso da minha antiga banda chamado Sob-Efeito. Certo dia cheguei lá no estúdio para marcar um ensaio para a banda e me deparo com os caras ensaiando e isso foi muito foda pra mim, me lembro ter tido na época uma discussão com o Humberto (Sob-Efeito), hoje muito meu amigo, relativo as músicas que estavam ficando muito pesadas (Hardcore), mas não era motivo para terem agido daquela forma comigo. De agosto de 1999 a janeiro de 2000, fiz alguns rabiscos num papel e deles saíram “Um Quadro de Um País Em Crise”, “O Que Você Não Gosta de Escutar” e “Natal Vermelho”. E foi dessa necessidade de expressão, de uma musicalidade mais rápida e reunião de amigos que surgiu a Aorta, no dia 02 de janeiro de 2000.
Waldemar Neto na bateria
2-A banda gravou em 2010 o primeiro EP Sangue Novo. Por que demoraram tanto pra fazer esse primeiro registro?
Emanuel Jr.-Na verdade, o Sangue Novo E.P. não é o nosso primeiro registro, mas foi um grande marco para a volta definitiva da banda depois de 6 anos parada por motivos pessoais de cada um (trabalho, estudos, família) e um desestímulo que foi iniciado em 2003, em relação a algumas atitudes do nosso primeiro baterista, o Elísio (Mundo Kaya). Deixamos bem claro que não guardamos rancor do mesmo, independente dos estresses, somos muito amigos hoje em dia. Existe uma demo gravada em 2002 chamada “Cansei...”, um material com baixa qualidade, gravada por Daniel Farias (Ugly Boys), num único estúdio que existia no bairro de Afogados naquela época, o Canto do Lixo, que ficava nos fundos da padaria do pai de um amigo nosso, o Geydson (Ugly Boys). Neste registro gravamos de forma bastante precária em apenas 4 canais, sons que nos acompanham até hoje em nossas apresentações, dentre estes: “O Quadro de Um País Em Crise”, “Natal Vermelho”, “O Que Você Não Gosta de Escutar” e o som que dá título a demo, “Cansei...”.
3-Em 2012 a banda volta com uma nova formação, contando com 2 ex-integrantes da banda Câmbio Negro HC. Como foi a chegada dessa galera, e o que isso acrescentou ao som da Aorta?
Emanuel Jr.-Começamos 2012 como um Power Trio (Emanuel Jr. – Vocal e Guitarra, Eduardo – Baixo e Waldemar Neto – Bateria e Vocais Adicionais), pois precisávamos minimizar os conflitos (falta de comprometimento em geral) que estavam impedindo que a banda evoluísse e para não dependermos da boa vontade de alguns, chegamos à conclusão que só seria interessante deixar na banda pessoas que realmente tivessem o mesmo interesse em comum, e não foi nada fácil expor o ponto de vista da parte interessada para a parte não comprometida. No início de abril, fiquei sabendo que o Ajax (Os Cachorros) havia assumido os vocais do Câmbio Negro HC e por não ter achado interessante a entrada do mesmo na banda (nada contra o Ajax), expus ao Pesado, até porque já tínhamos uma amizade desde que fiquei sabendo que a Câmbio Negro HC estava ensaiando e iria voltar as suas atividades, e o mesmo me poupou de detalhes e disse apenas que o Ajax era muito seu amigo e que seria a melhor opção para a banda naquele momento. Enfim, conversamos muito sobre a cena atual, bandas em várias oportunidades e daí ele me questionou se eu tinha banda, se tinha material, etc.. Mandei links nosso da net para ele e daí ele elogiou bastante e perguntou se teria algum problema em ir um dia ao ensaio nosso. E antes de acontecer do mesmo ir a um ensaio da banda, ele disse em outra oportunidade: - Já falou pra galera sobre o novo vocalista? Eu: - Como assim, ta falando sério? Ele: - Sim. Estou procurando uma banda. Eu não acreditando na situação, falei para os demais integrantes e eles disseram que deveríamos marcar um ensaio para ver se rolava sinergia e tal. Ta aí. De fã a amigo, de amigo à integrante de uma mesma banda, que doideira. Um mês com Pesado no vocal, sentimos a necessidade de mais uma guitarra, convidamos o Adelmario (Veneno), mas por motivos pessoais não pode ficar naquela época na banda e Pesado depois falou de um amigo que havia tocado na Câmbio Negro HC na década de 80 e foi daí que apresentamos o nosso som para Caru um cara muito interessado e dedicado, veio para somar e fazer as coisas acontecerem. A troca de experiência tem sido muito positiva, ambos aprendemos uns com os outros e é essa formação que eu acredito que vai perdurar, a formação mais madura que a banda já teve.
Pesado em estúdio na gravação do novo EP da Aorta
4-Agora a banda está preparando um disco novo. Qual a previsão de lançamento e o que a galera pode esperar desse material?
Emanuel Jr.-Este material estava estacionado desde novembro de 2010. Começamos a gravá-lo e vieram as mudanças, o que fez com que este material ficasse latente por mais de um ano. Só agora em 2012, e com a surpresa da entrada do Pesado no vocal e Caru na guitarra, conseguimos tirar o projeto da gaveta e torná-lo uma realidade. O E.P. “Acorde!” conterá 12 faixas, duas delas têm participação mais que especial de nossa amiga de sempre Luciana Menezes e Davi (Nação Corrompida), e a previsão para lançamento deste trabalho, acredito que só no 1° semestre de 2013, pois estamos querendo fazer um lance bem organizado. O que a galera pode esperar é um material sincero, maduro e com um conteúdo 100% cabeça e responsável.
Capa de divulgação do novo EP já pronta e aguardando lançamento!!!
5-Quais os temas das letras e quem as escrevem?
Emanuel Jr.-Eu escrevo a grande maioria delas. Em algumas tenho parcerias como: “Cansei...” que foi escrita em março de 1998, juntamente com Thaísa Lima, quando éramos apenas 8ª série, e nessa época eu estava descobrindo e me informando sobre o movimento punk, a “Desamparo/Desespero”, que foi feita em 2003, em parceria com o Shurato (Nômades), “Vida Severina” que foi escrita em 2001, juntamente com Ismael José, amigo das antigas e parcerias com o poeta marginal Rogério Vícios F... (Movimento Desabafa Pina/Movimento Farinha do Rock), quando gravamos/musicamos duas poesias cedidas por ele, “Auto-Estima” e “Blackout”. Minha escola musical foram os Ramones, Sex Pistols, The Clash, Devotos, Cólera, Inocentes, Olho Seco, Ratos de Porão. Em 1999, conheci o som de bandas como Circle Jerks, The Stooges, Buzzcocks, Câmbio Negro HC, Ataque Suicida, Elefante Verde, Nação Corrompida, Estado Decadente e Mukeka di Rato que com o tempo foram me influenciando também. Em nossos temas abordamos um contexto social, aquilo que nos cerca, nos incomodam, as guerras e as suas conseqüências, o descaso com os seres humanos, o holocausto animal, a politicagem no nosso país, o auto-estima dos seres humanos, a persistência e homenagens a aquilo que achamos que há méritos em receber.
Ricardo Caru e Eduardo em estúdio.
6-E shows, a banda tem feito?
Emanuel Jr.-Fizemos umas 3 apresentações nesse ano de 2012, e de abril para cá ficamos apenas produzindo em estúdio para que os novos integrantes se adaptassem ao ritmo da banda e nos dedicando a conclusão do E.P. “Acorde!” Mas já tem mais umas 3 apresentações ainda este ano que em breve estaremos divulgando na nossa página da web e divulgadas pelos demais canais e redes de relacionamentos.
7-Tenho percebido que a cena de recife tem uma movimentação muito forte, já entrevistei várias bandas que reforçaram isso. Mas na opinião de vocês, o que a cena tem de bom, e o que tem que melhorar?
Emanuel Jr.-A cena de Recife realmente é muito forte, as pessoas estão buscando se interessar mais por ela. A amizade entre bandas e seus integrantes de outras cidades próximas é um ponto positivo, a força de vontade de cada um em querer fazer o lance acontecer em seus bairros, descentralizando e mostrando suas identidades é outro ponto positivo. Essas coisas é que fazem com que sempre haja vontade em está participando junto aos coletivos, grupos e nichos que se organizam em prol da cena com suas reuniões mensais e externalização de idéias e ações. O público ainda precisa se conscientizar de que, para que se mantenha viva essa cena que muitos se esforçam para está movimentando, precisa-se contribuir indo aos shows e colaborar com os valores que são cobrados para que os eventos, gigs, venham a acontecer com mais freqüência.
Video "Aorta - Mundo Pre Histórico"
8-Você faz parte do Movimento Farinha do Rock. O que essa movimentação tem proporcionado para a cena local? Qual a principal linha de ação desse movimento?
Emanuel Jr.- No começo, antes de darmos um nome a toda àquela movimentação de bandas locais no bairro de Afogados, a coisa acontecia nas proximidades do Largo da Paz no próprio bairro, atrás de uma igreja católica, onde eram realizados ensaios abertos ao público. Depois de algumas conversas e trocas de idéias, no mês de março o lance passou a acontecer em frente a uma padaria do próprio bairro, próximo à estação de metrô, na Estrada dos Remédios. No primeiro dia, em 10 de março de 2002, um domingo de muita chuva, bandas como Ugly Boys, BxHxC (Bandos de Hardcore), Nuvem Raio e Hemp Armageddon ali se apresentavam embaixo de uma lona de caminhão que o nosso amigo Israel (Hemp Armageddon) desenrolou para não acabar com a tarde planejada. Tínhamos a regalia da energia e do espaço disponibilizado pelo Sr. Menezes (dono do estabelecimento) pai do Geydson (Ugly Boys) e daquele dia em diante todos os domingos passariam a ser sagrados e através da divulgação boca-a-boca, vimos aquilo tudo tomar uma dimensão assustadora. Logo se espalhou a notícia de que ali havia um movimento de divulgação de bandas e logo veio à parceria com outros bairros, cidades e estados. Todos os domingos 5 a 6 bandas de graça tocando para a alegria do bairro e de todos que ali estavam, muitos vindo de longe. Resolvemos fazer uma reunião depois do segundo domingo com as pessoas envolvidas para documentar tudo aquilo que estava acontecendo e no que poderia ser melhorado. Fazíamos pautas, delegávamos algumas atividades dentre aqueles que ali estavam interessados em fazer aquilo acontecerem cada vez mais, dentre estes: Geydson, Daniel (Ugly Boys), Gordo, Shurato (Nômades), Nano (El Ramiros), Emanuel Jr. (Aorta), Rico (BxHxCx) e o poeta marginal Rogério Vícios F... (Desabafa Pina). Era algo muito prazeroso em fazer em menos de um mês a agenda de marcação de bandas que teriam interesse em mostrar seu trabalho estava cheia, pelo menos uns 3 meses a frente. O Farinha do Rock foi palco para muitas bandas na época, entre elas: Nômades, Aorta, Ugly Boys, Estado Decadente, El Ramiros, Los Locos (Ex-Hemp Armageddon), BxHxCx, Elefante Verde, Ploidriver, Grito Civil, Revolta Civil, Black Dreams, Porra, Tumor no Cú (PB), Bastardos Infames, Mundo Kaya, Nuvem Raio, Nebulosa, Phrasis, Abrôlho, Ataque Suicida, Emergência, Sofia em Chamas, Joãozinho Podre, Persistentes, Matalanamão, Os Medonhos, Rabujos, Nação Corrompida, entre milhares de bandas. O bom dessa época é que havia respeito entre estilos diferentes do rock clássico, passando pelo psicodélico, alternativo, hard rock, heavy metal, trash metal, punk e hardcore. Nessa pisada passaram-se dois anos seguidos, todos os domingos, e depois que Sr. Menezes passou o ponto (espaço físico) onde acontecia todo esse cenário, ficamos órfãos de tudo aquilo que havíamos construído e só depois de 10 anos em 17 de março deste ano, tive a idéia de instigar e voltar a fazer o Farinha do Rock novamente, o que tem sido da mesma forma muito prazeroso fazer, apesar de não ser mais free (entrada franca), a proposta é a mesma, a sinceridade é a mesma e estamos a cada dois meses dentro de nossas condições conseguindo tocar essa lenda para frente. Underground é isso. Meter a cara e fazer. Viva o Movimento Farinha do Rock.
Tocando nos 10 Anos do Movimento Farinha do Rock ainda como trio.
9-Recentemente a banda participou da coletânea "Atitude Consciente", produzida pelo Rose, Baixista da Cama de Jornal e que reúne bandas de punk hc do Nordeste. Qual a importância de materiais como esse, e também o que vocês acham da internet como canal livre de divulgação?
Emanuel Jr.-A divulgação em coletâneas é algo sempre válido e principalmente da forma que tem sido feita. Isso só faz com que as bandas envolvidas em determinados trabalhos, possam ampliar suas redes de relacionamentos com outras bandas de outros estados e buscar essa parceria na divulgação de seus trabalhos sempre. A internet tem sido um canal positivo e consciente, pois muitos estão preocupados com a questão da poluição em nosso planeta, inclusive nós. Os cartazes e panfletos que são meios de divulgação, nem sempre acabam tendo um destino correto depois de utilizados. Como assim? Você faz panfletagens divulgando determinados shows, mas não sabe se o destino daquele papel vai ser lixo ou rua, ou ainda, aquele cartaz que você colou em determinados lugares, em pouco tempo será arrancado, mas será que o destino desses pedaços de papéis arrancados será o lixo mesmo ou mais uma vez as ruas? Então eis a grande importância deste canal divulgador. A consciência tem que começar de você, por você.
10-Valeu rapaziada! O espaço é livre para vocês falarem sobre o que quiserem divulgar links, contatos...
Emanuel Jr.-A Aorta agradece a oportunidade, o convite do TOSCO TODO, e esperamos fortalecer e expandir essa parceria. Em janeiro espero trocar uma idéia melhor e tomar umas cervas quando a banda Cama de Jornal estiver por aqui. Abraço Nem, Rose e toda a galera que está lendo esta entrevista.
O papo de hoje é com o Walkir Inseto, vocalista da banda Descarga Negativa HC, e produtor da Insetus Produções lá de Goiânia-Go. Ele nos conta como surgiu a banda, a idéia de montar a produtora e fala ainda sobre a cena local. Acompanhe aí:
Walkir Inseto
1 - Como é gravar um disco 10 anos depois do início da banda? E é a mesma formação desde o início?
Walkir- Velho é como se estivéssemos pagando uma divida, pois desde que demos um tempo muita gente cobrou e ainda cobra um material da banda. Com a saída do baterista Feses (José Vandério) não tínhamos gravado nada. Durante muito tempo tentamos voltar, mas nunca se firmou pois sempre acontecia algo. Em 2009 o Feses volta para Goiânia e tentamos voltar novamente (Walkir, Feses, Stopa, Josias - Abalo Sísmico) no que acabou não dando certo, então convidamos o Júnior (Ex Escória HC e Chorume HC), já tínhamos tocado juntos no CHORUME HC, e fiz uma participação na gravação em uma musica de sua finada banda Escória HC. No mesmo ano fui morar em Brasília e por coincidência o Feses também, conheci um guitarrista lá e as ideias batiam, era o Paulinho (Vassourito), e resolvemos então voltar com a banda e finalmente gravar. Uma vez por semana rolava ensaio, uma vez em Brasília na outra semana em Goiânia. Por ironia do destino e pra fortalecer a nossa volta Josias se muda para Brasília, foi onde realmente a DNHC estava de volta. Tínhamos três guitarristas se revezado, fizemos três músicas novas, Abismo do Nada, Qual A Sua Visão e Insisto Em Dizer Não, e fomos convidados para tocar pela primeira vez em Brasília no aniversario do Terror Revolucionário (Terror fest). Mas a maioria de nossas musicas se perderam no tempo, isso é o que acontece quando não se grava. E não durou muito tempo para que caísse novamente uma ducha de água fria, o Feses sai da banda por um motivo no quais todos entendemos, apoiamos e torcemos por ele, e sabemos que sempre estará conosco e que também faz parte de tudo isso. Mas as noticias de nossa volta, que já tínhamos oficializado e o show no Terror Fest, vimos que não podíamos parar a banda novamente sem ter gravado. Foi onde entrou o Taufic na bateria, um grande amigo e participante ativo de todos os outros projetos que tive fora da DNHC, tais como Chorume HC, Ultima Resistência e Vacilo. Logo em seguida entrou Rafael Pinguinha (Tarja Preta HC). E finalmente o DNHC teve uma sequencia de ensaio e shows, viagens, diversão, cachaça e muito hardcore. E que no dia 06 de setembro iniciamos nossa primeira gravação.
Uma foto dos primórdios da banda
Formação atual da Descarga Negativa HC: WALKIR (Inseto)/vocal, JUNIOR HC/guitarra, RAFAEL Pinguinha/guitarra, STOPA/baixo, TAUFIC/bateria.
2 - O novo disco já tem título? Segue alguma temática específica, ou é um lance mais amplo com vários temas?
Walkir- Temos algumas ideias, mas não definimos nada, queremos gravar primeiro e na hora certa sairá alguma coisa. Não nos prendemos a nenhum tema, a vida vai nos sufocando, aí vamos arregaçando as mangas, partindo pra luta e vomitando toda a indignação e revolta pra fora.
3 - Goiânia é uma cidade conhecida pela "música sertaneja", como é a reação das pessoas quando vocês dizem que fazem um som Hardcore?
Walkir- Desde que cheguei a Goiânia sempre vi uma cena forte e concreta, no inicio da década de 90 tive o privilégio de ver muitas bandas importantes de nível internacional, como Spiritual Carnage, Mandatory Suicide, Morte Lenta, HC 137 e outras que continuam influenciando gerações, e atualmente temos bandas de vários estilos e em todo canto da cidade, levantando a bandeira do underground, é quando as pessoas se chocam que aqui fazemos hardcore, metal extremo etc... Acho que estão assistindo muita TV e ouvindo FM.
Descarga Negativa HC em ação
4 - Já tive a oportunidade de conhecer a city de vocês e percebi que existem muitos bares que abrem espaço para bandas de rock tocarem. Isso é bom pra cena, né?
Walkir- Esses caras são uns guerreiros, o nosso maior empecilho é o governo, sempre embargando shows, oprimindo a galera e nunca disponibilizando um local onde possamos realizar nossos eventos e expressar a subcultura. Ainda bem que existe lugares onde o coronelismo e nepotismo (AMMA) não entram, eles batem na porta, enchem o saco, até multam mas não entram.
5 - Vocês fazem parte do Insetu's Zine que é responsável pela produção do zine virtual e também de shows aí em Goiânia. Quando que surgiu a ideia do zine e de produzir shows?
Walkir- Desde o inicio nunca esperamos nada de ninguém, assim que as musicas estavam quase prontas (até hoje não ficaram prontas rsrsrsrsr) organizamos nosso primeiro show, foi aí que nasceu a Insetu’s Produções, que sempre foi e sempre será um veiculo de comunicação, expressão e divulgação do movimento underground. Sempre organizado pelos amigos, eu e Carol sempre estivemos na frente direcionando as correrias, mas toda galera, principalmente os amigos que sempre nos ajudaram e ajudam a carregar o piano até hoje. A Insetu’s Zine tem uma necessidade de movimentar zines, blogs e bandas goianas, mas acabou estendendo a todo território nacional e divulgando no exterior. Essa idéia minha e do Kézio (Capitão kuzio), que é fundador também da Insetu’s Produções, deu certo pois hoje 95% dos acessos são de gringos que em pouco tempo ultrapassamos os 12.000 acessos. Devido a nossa vida corriqueira às vezes não dá pra postar tudo que queremos, mas não vamos abandonar o navio mesmo dentro das nossas limitações, vamos nos arrastando e postando devagar mas sempre. http://insetuszine.blogspot.com.br/.
Festa de 10 anos da Insetus Produções
6 - E com a Insetu’s Produções vocês já levaram bandas de nome na cena nacional como o Olho Seco e Agrotóxico. Qual a diferença entre trabalhar com bandas desse porte e com bandas mais desconhecidas do underground?
Walkir- A diversão é a mesma, pois quando a Cama de Jornal e a Horda Punk estiveram aqui foi muito divertido, mas quando fizemos shows com Cólera, Olho Seco, ROT, etc... Rola uma nostalgia quando era adolescente, ouvia aquele som e nunca imaginava em ver tudo aquilo pessoalmente ainda dividindo palco com os mesmos, isso não tem preço, é muito bacana.
Olho Seco na Festa de 10 Anos da Insetus Produções em Goiania
7 - Quais são os planos da Descarga Negativa depois do lançamento do CD? Pretendem fazer algum show de lançamento? E turnê, vai rolar?
Walkir- Devemos sim fazer um lançamento, pois afinal de contas são 12 anos. Isso é uma vida e temos que comemorar. Deve rolar um role, uma mini tour, ou visitar alguma bandas, cidades. Mas não preocupamos com isso, queremos mesmo e ver a bolachinha na mão da galera e pagar essa divida com underground.
8 - Pretendem disponibilizar o CD completo para download? Por falar nisso, o que vocês acham da internet como canal de divulgação de bandas?
Walkir- Claro que sim, isso acaba aproximando todos e divulgando a banda, o movimento, a cidade, as ideias, etc...
9 - A Descarga Negativa tocou no Correnteza Fest, o primeiro registro de um festival grande de rock em Correntina – BA? Como foi?
Walkir- Foi fantástico, sem contar que a cidade é linda. A iniciativa dos organizadores foi ótima. Tivemos alguns percalços, mas já esperávamos por se tratar do primeiro evento. Com as próximas edições serão melhores, pois tudo isso foi um aprendizado a mais.
Em Correntina-Ba
10 - Pra finalizar, vocês estão há 10 anos na luta aí pelo fortalecimento do underground. E hoje, como vocês vêem a cena não só em Goiânia, mas também em todo Brasil?
Walkir- Muito forte e evoluindo a todo instante, devido à internet você tem acesso a tudo. A velocidade das informações hoje não e a mesma quando estávamos na adolescência, então vejo essa galera nova com senso critico muito mais apurado, montando bandas e cuspindo marimbondos, isso e maravilhoso. Está rolando uma campanha do voto nulo numa proporção muito forte nas redes virtuais, isso é fruto de um todo, e a volta das bandas pioneiras do movimento punk ajudou ainda mais, não só fortalecendo o movimento, mas concretizando que a resistência de 30 anos atrás não foi em vão.
11 - Muito obrigado pela atenção, e o espaço fica aberto para falarem sobre o que quiserem, inclusive se ficou algo importante e que não perguntei... o espaço é de vocês!!!
Walkir- Primeiramente agradecemos pelo espaço e parabenizamos pelo trabalho na Cama de Jornal e pelo zine. E nos desculpar pela demora nas respostas. Esperamos poder dividir o palco novamente. Um grande abraço!