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domingo, 1 de dezembro de 2019

Disunidos lança CD "Real Salvação"

De vez em quando recebo alguns materiais de bandas undergrounds independentes. Esse disco do Disunidos foi um deles. Vindo de João Pessoa-PB, eu já tinha feito uma entrevista com a banda anos atrás, que você pode ver aqui. Em relação ao CD "Real Salvação" achei interessante voltar a conversar com Aurício Fumaça, vocalista da banda, pra falar da concepção dessa criança. Acompanhe e ouça o disco!
Disunidos é: André, Marcos, Aurício Fumaça e Neném
A banda surgiu em 1987, parou por um bom tempo, e em 2015 voltou querendo gravar um CD, que só saiu agora. Porque tanto tempo assim para conseguir gravar e lançar?
Fumaça - Fizemos algumas demos. Mas algo mais elaborado e com uma grande parte das músicas antigas, só conseguimos agora. Creio que devido as idas e vindas da banda e geralmente quando pensávamos em fazer algo oficial sempre acontecia algo e nós parávamos.

O disco foi lançado com apoio de vários selos, fale sobre eles e como surgiu a parceria com vocês?
Fumaça - O convite surgiu do nosso brother Adriano Stevenson do selo Microfonia, como também a parceria com a Funjope (Através do Fundo Municipal de Cultura), daí em diante focamos no trabalho e na seleção das músicas. O Adriano é nosso brother de longas datas e junto com sua parceira Olga Costa que também é nossa amiga das antigas, ficou fácil a coisa acontecer.
Ouça aqui
Vocês sendo uma das primeiras bandas da Paraíba a fazer um som punk rock, até demorou pra rolar o primeiro disco, qual a sensação ao pegar o CD da fábrica nas suas mãos?
Fumaça - Cara a sensação é única, cheguei a encher os olhos de lágrimas, pois não sou mais tão jovem, e os demais assim como eu vibramos muito, pois a coisa toda foi cansativa e o produto pronto foi a nossa recompensa por todo o nosso esforço.
Fumaça em ação!
Teve algumas músicas que foram feitas ainda nos primórdios da banda, mas também tem música nova, né?
Fumaça - Justamente, dentre as novas estão "Dia à dia", "Pátria que o pariu" etc, mais a maioria é de músicas antigas, a exemplo de "Real Salvação" que é o título do CD e uma das primeiras letras da banda.

De quem foi a idéia da arte da capa do disco?
Fumaça - A ideia da arte foi do nosso guitarrista André Nóbrega, de comum acordo resolvemos homenagear várias bandas, pessoas e zines que fizeram e fazem o underground.
(Nota do Blog: O encarte teve a Direção de Arte de Maxwell Sousa)

Eu particularmente curto músicas curtas, e duas me chamaram a atenção no disco, "Alô môfi" e "Autogestão". Essas duas são novas?
Fumaça - São sim. "Alô Môfi" se refere a garotada que se envolve no mundo do crime e quase sempre tem um fim trágico, e "Autogestão" reflete um desejo de muitos libertários.

Outro destaque, pra mim, é "Mulheres em Luta" que fala sobre a mulher como protagonista da sociedade. De quem é essa letra? Era isso mesmo que vocês queriam dizer?
Fumaça - Esta letra é minha com a participação de Patativa (Madalena Moog), demoramos mais conseguimos chegar neste objetivo, tanto sonoro como na letra, que também faz referência a atitude do bozofacho quando disse que não estupraria a Maria do Rosário, na época se não me engano ministra dos DH. Tem ainda a participação da Marah e Kakal, vocais e percussão.

E agora, quais os planos com esse disco na bagagem?
Fumaça - Bem, este mês de Dezembro vamos dar uma descansada e a partir de Janeiro de 2020 estamos a disposição de quem queira ouvir o nosso som ao vivo e em cores, tanto no nosso estado como fora dele e fazermos amizades, trocar informações e o mais importante; tentar conscientizar as pessoas com nossas letras e palavras sobre esta política de ódio que está sendo implantada não só no nosso país como no mundo.

O espaço é seu pra falar o que quiser;
Fumaça - Agradecer mais uma vez pelo espaço, como também todxs os parceiros(as), amigos e pessoas que vão as nossas tocadas, não só nos prestigiar, como também prestigiar as outras bandas que fazem o underground de João Pessoa acontecer, e ao nosso Marcelinho (Studio Peixe Boi) que nos aturou kkkkk.

Contatos:

domingo, 12 de junho de 2016

Entrevista com Fumaça da banda Disunidos

O papo de hoje é com o Fumaça Silva, vocalista da banda Disunidos, de João Pessoa-PB. A banda surgiu em 1987, deu uma parada e no ano passado gravou uma Demo, e tem planos de um CD ainda esse ano...se ligue aí!
Fumaça - Vocal da Disunidos
Primeiro, gostaria de saber qual o motivo da mudança da grafia do nome "Disunidos"?
Fumaça - Bem, quem deu o nome foi meu pai, que disse que nós éramos Desunidos, aí pra deixar a coisa bem Punk trocamos o "e" pelo "i".
Disunidos é: Nenem no Baixo, Vado na Bateria, Fumaça no Vocal e André na Guitarra.
A banda foi uma das primeiras da Paraíba a fazer punk rock. Como era a cena naquela época?
Fumaça - Quando entramos na cena não havia bandas que realmente participasse do movimento punk, nós surgimos e fomos as ruas com propostas de mudanças dentro dos ideais anarquistas, fizemos a diferença naquela época.....

E dentro desse contexto, como a banda surgiu? E porque escolheram fazer punk rock?
Fumaça - A banda surgiu com o "faça você mesmo", e a escolha do punk rock foi justamente a partir das letras e atitudes dos punks.

Já naquela época a banda circulou por alguns estados do Brasil. Como era pra sair da Paraíba e ir tocar em um evento anarco punk em Belo Horizonte, por exemplo?
Fumaça - Nós tínhamos uma linha direta com bandas de Natal/RN, Devastação, Descarga Violenta entre outras, inclusive a Descarga Violenta ainda está em atividade. Com relação a BH foi uma experiência vivida pela primeira vez pelos integrantes da banda, foi muito positivo, antes da Gig participamos de debates e uma passeata. Recentemente uma mina do RJ entrou em contato com a gente e mostrou o cartaz da Gig que houve. Cara, foi massa! E pra ficar mais foda, ela tem duas K7, uma tem a Disunidos e Face Crônica (não existe mais) e Descarga Violenta, diga que emoção da porra...
K7 Master - Face crônica e Disunidos.
A banda surgiu em 1987 e no final dos anos 90 encerrou as atividades. O que aconteceu nessa época?
Fumaça - O nosso guitarrista, o Alex, foi morar em SP. O vocal Washington foi para a Cidade de Areia cursar Agronomia ai ficamos eu e o Jobson, acabamos nos voltando para o trabalho e constituímos famílias. Quando foi por volta de 1998/99, o Sérgio Bruxa nos chamou e voltamos a atividade, foi ai que gravamos uma demo de ensaio, mais infelizmente o Sérgio veio a falecer e nós paramos novamente.

A Disunidos já teve suas músicas gravadas por outras bandas, e também já foi motivo de pesquisas, sendo citada em estudos universitários e até em livros (saiba mais aqui e nesse outro link). O que vocês acham que faz com que sejam lembrados depois de tanto tempo?
Fumaça - Foram várias bandas que já gravaram nossas músicas, dentre elas; Descarga Violenta, Rotten Flies, CUSPE, Urubu Trip, Zeferina Bomba, Hellvolution, Soul in Agony, etc. Fomos sim, citados em trabalhos universitários e num livro sobre o rock paraibano e só temos a agradecer aos que fizeram este trabalho tendo como referência a Disunidos, e ainda hoje somos procurados para falarmos do punk rock paraibano, muito legal mesmo. Quanto a sermos lembrados, talvez seja por nossa atitude, sempre fomos positivos em nossas ações, anarcopunks ou não, como também não pregamos o ódio e sim a união.
A Disunidos também é citada nesse livro.
E agora a banda resolveu voltar. O que motivou essa decisão?
Fumaça - Agradeço o retorno ao nosso guitarrista, pois ele me procurou e perguntou se eu gostaria de voltar com a Disunidos e de imediato aceitei. Antes disso, como professor de artes que é, ele foi exibir para uns alunos o documentário "Estão Sentindo Cheiro de Queimado" dirigido por Everaldo Pontes e Bertran Lira nos anos 80, e por coincidência o meu filho era aluno dele e me reconheceu na filmagem e disse "este é meu pai", ai depois foi só alegria...kkkk...
Quem da formação original está nessa volta da banda?
Fumaça - Retornou o Vado, primeiro baterista, e eu desde o inicio da banda.

Durante esse tempo, a banda lançou duas demos. A última foi gravada no ano passado. Como tem sido a receptividade da galera para esse novo trabalho da Disunidos?
Fumaça - Lançamos uma demo em 91 gravada em estúdio, outra entre 98/2000 gravada no ensaio e a última um demo EP gravado em estúdio, já no final de 2015, que é a atual. Bem, a receptividade está sendo boa, trouxemos muitos amigos aos shows, velhos punks e novos punks também, fora os que curtem um som alternativo...
Qual a expectativa a partir de agora?
Fumaça - Estamos vendo a possibilidade de gravarmos o nosso primeiro CD, algo que pra mim que já estou com 48 anos de idade vai ser como ganhar a primeira bicicleta...kkkkkkk...como também sempre ficamos na expectativa de sermos convidados para tocarmos em outros estados.....
O espaço é de vocês, muito obrigado pela atenção!
Fumaça - Nós agradecemos pelo espaço, e estamos prontos para darmos a nossa contribuição no atual cenário punk rock. Claro que não somos tão jovens, tirando o baixista...kkkk...mas ainda pogamos um bocado e falamos a verdade em nossas letras. Gostaria de agradecer a você mais uma vez pelo espaço no blog, e agradecer também aos nossos amigos Adriano Stevenson, Olga Costa, Beto Feitosa, do Pedras que Rolam, galera do Jardim Elétrico, Mofados Studio Bar e todos que nos acompanham desde sempre. valeu!!!

CONTATOS:
Facebook - Disunidos
E-mail - disunidospunkpb@gmail.com

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Entrevista com o Adriano da Rotten Flies

A última entrevista do ano é com o Adriano Stevenson, da Rotten Flies, de João Pessoa na Paraíba. Agora estarei dando uma pausa, e ano que vem, estarei de volta com mais entrevistas e informações sobre o underground brasileiro. Até mais, e acompanhe o papo com o Adriano.
Adriano Stevenson-Rotten Flies.
1-A Rotten Flies foi criada em 1990. Mas como é essa história de que vocês montaram a banda sem ter instrumentos?
Adriano - Não estou na banda desde o início, mas sei que quando a vontade é muito grande, acabamos por superar tudo e colocar pra frente aquilo que gostamos de fazer. Acho que foi isso que aconteceu no inicio da Rotten Flies...
Rotten Flies - Foto: Rafael Passos
2-Dois anos depois de formada, a banda já grava a primeira Demo Tape "Necrofilia" em fita cassete. Como foi pra vocês quando pegaram a primeira cópia na mão?
Adriano - Não sei, eu não estava lá! (risos), mas deve ter sido ótimo. Ainda hoje é uma sensação muito boa ter um trabalho terminado e lançado.

3-Em 1994 a Rotten Flies lançou mais uma tape chamada "Cultura do Ódio". Qual foi a repercussão desse trampo?
Adriano - Foi legal, e logo após entrei na banda, peguei as músicas e começamos a tocar um bocado em João Pessoa.
Segundo trampo: Cultura do Ódio-1994
4-Durante todo esse tempo a banda teve várias formações. Como chegaram a formação atual?
Adriano - Com a saída do terceiro guitarrista por conta de compromissos diversos, eu já estava na banda, e aí tive que aprender todas as bases em pouco tempo, como também já estava compondo coisas novas, que geraram o trabalho seguinte: “O Hardcore”.

5-Vocês também já participaram de várias coletâneas. Qual a importância desses materiais na divulgação da banda?
Adriano - Coletânea sempre é um lance muito legal, principalmente quando envolve bandas de outras cidades. Circular em outras cidades é algo certo em termos de divulgação quando a banda participa de uma coletânea.

6-A Rotten Flies está na estrada há mais de 20 anos, e sabendo da dificuldade que é se manter com uma banda underground, é natural que cada um tenha seu trampo pra poder sobreviver. Mas é verdade que tem até um PhD na banda? Em que mais vocês se movimentam?
Adriano - Sim, o Phd é de Ramsés, vocalista, não é nosso! O que nos interessa é a música, as letras que ele escreve e canta! Cecílio (baixista) trabalha na Construção civil e Beto Luxúria é pintor de rodapé, auxiliar de cozinha, baterista, e stripper nas horas vagas.
Sou editor do Jornal Microfonia que divulga as bandas do circuito independente com destaque para a produção do lugar onde moro, além de tratar também de outros temas, como HQ, filmes e livros. O jornal tem quase dois anos. É um trabalho permanente de expandir, atravessar fronteiras pra divulgar o que se produz por esses lados e ainda tenho um projeto chamado E.R.R.O. que já esta preparando composições para um cd.
7-E agora a banda acabou de lançar o CD "Amargo", que na verdade já tinha sido lançado virtualmente em 2009. O que aconteceu?
Adriano - Amargo é o primeiro CD do Jornal Microfonia que transformamos em selo também! O nosso segundo lançamento foi mês passado com o CD da Comedores de Lixo “Aos Mortos”. Estamos na batalha da divulgação dos dois CDs. Não dá pra parar!
Amargo - Lançamento Jornal Microfonia
8-Durante todos esses anos vocês já passaram por muita coisa na estrada. O que ainda move a Rotten Flies?
Adriano - Gostar de tocar e gostar do que faz!

9-E a Rotten Flies pensa um dia em gravar um disco ao vivo em comemoração a todo esse tempo junto? Quais os projetos pro futuro?
Adriano - Um dia... quem sabe? Sem futuro, que nem o refrão da música dos Sex Pistols...

10-Valeu, véio. Muito obrigado pela atenção e deixo o espaço aberto para o que quiser falar, sobre algo que não perguntei e que ache interessante frisar, deixar contatos, agenda de shows, links para videos, downloads...a hora é agora!!!
Adriano - Obrigado pelo espaço cedido, e quem tiver curiosidade do nosso trabalho acessar: www.facebook.com/rottenfliesHC


domingo, 23 de setembro de 2012

Tosco Todo apoia Coletânea

O Tosco Todo apresenta aqui mais uma coletânea recém lançada, produzida pelo Rose Almeida, baixista da banda Cama de Jornal. "Atitude Consciente" é uma coletânea só com bandas do Nordeste Brasileiro, sendo uma banda representando cada estado: Lavage (Ceará), Sertão Sangrento (Rio Grande do Norte), Rotten Flies (Paraíba), Aorta (Pernambuco), DNA (Alagoas), The Renegades Of Punk (Sergipe), PayJones (Piauí), Chimpanzé Reumático (Maranhão) e Cama de Jornal (Bahia).
São 26 sons do mais puro punk hardcore nordestino que em breve será lançado em CD-r com capa colorida. Enquanto isso, disponibilizamos aqui pra você baixar e conhecer mais sobre a cena underground nordestina!!!
Clique na imagem para ampliar e AQUI para fazer o download

CORREÇÃO
Ficou faltando uma faixa da coletânea.
Clique aqui para baixar: