segunda-feira, 12 de outubro de 2026

4 bandas para não perder no Festival Suiça Bahiana

 

Nos dias 17 e 18 de outubro acontece mais uma edição do Festival Suiça Bahiana em Vitória da Conquista. Já consolidado no calendário cultural da cidade, uma das novidades desta edição é que, ao contrário de anos anteriores, toda a estrutura do Centro de Cultura será utilizada com vários palcos.
Na grade de artistas desse ano, com muita diversidade de estilos, tem nomes como o de Duda Beat, Hamilton de Holanda Trio e Seu Pereira e Coletivo 401. Mas não é sobre eles que eu queria falar, e sim sobre bandas mais undergrounds (puxando a sardinha pro meu lado, é claro), que eu acredito que farão shows que podem surpreender muita gente. Então, vou indicar quatro bandas, vamos lá!

1-Bayside kings
Bayside Kings. Foto: André Calvão

A Bayside Kings é uma importante banda brasileira de hardcore originária de Santos (SP), fundada em julho de 2010 pelo vocalista e letrista Milton Aguiar. O grupo começou a carreira cantando em inglês, mas a partir de 2021 a Bayside Kings passou a lançar materiais em português. O último álbum "Atlas", foi lançado pela Deck Disc. A banda já se apresentou em grandes festivais, como o Rock in Rio.
Conversei com Milton Aguiar, vocalista, sobre a circulação da banda pelo Brasil e pelo Nordeste. Segundo ele, "circular pelo Brasil e levar o que fazemos para diferentes regiões é uma das partes mais importantes de estar numa banda. E, particularmente, isso tem um significado ainda maior pra mim, porque minhas origens também estão no Nordeste. Toda vez que volto pra essa região com o Bayside Kings, é como se estivesse reencontrando uma parte da minha própria história."
Mas o que esperar do show da Bayside Kings?
Milton é direto; "conexão. Nosso som é agressivo, mas, ao mesmo tempo, carrega uma coisa que pra gente é fundamental: conexão real entre pessoas."
Ainda sobre a experiência vivida em um show da banda, Milton diz que acreditam que "o hardcore é energia, é encontro, mas também é questionamento, tanto sobre o mundo ao nosso redor quanto sobre nós mesmos. É essa experiência que queremos compartilhar com quem estiver lá. Queremos fazer um show que fique na memória de quem assistir e que também abra as portas pra voltarmos em outras edições."
Sobre o repertório, Milton promete focar no novo álbum. "Vamos apresentar bastante dessa nossa fase em português, incluindo músicas de ATLAS, nosso novo álbum. É um disco que representa muito bem o momento que estamos vivendo e que, particularmente, considero um dos trabalhos mais atuais e importantes da nossa história."
Um outro ponto que sempre gosto de tocar com as bandas autorais é sobre lançamentos físicos de materiais em CD, Vinil, K7. Sobre isso, Milton falou que acredita muito no material físico. "Pra nós, é muito importante que as pessoas tenham acesso a esses materiais e que eles realmente pertençam a elas. Ter um CD ou um vinil nas mãos é muito mais do que ouvir música. É criar uma conexão com o artista que você gosta e apoia, conhecer as letras, a arte, o conceito e entender o trabalho como um todo, do começo ao fim. Acho que, principalmente nos tempos de hoje, isso faz muita diferença. É uma oportunidade de sair um pouco da superfície, do consumo rápido e raso, e mergulhar de verdade naquilo que o artista está propondo."
E aí a gente chega num outro ponto. Quem movimenta grande parte dos lançamentos do underground são pequenos selos independentes. Sobre isso, apesar de hoje a Bayside Kings ser uma banda lançada por uma gravadora importante como a Deck, Milton diz que "os selos independentes têm um papel fundamental nisso. Ao longo da nossa história, tivemos parcerias com diversos selos e mantemos essas relações até hoje. São eles que ajudam muitas bandas do underground brasileiro a transformar suas ideias em algo físico, que pode circular, chegar a outras pessoas e criar novas conexões. São braços importantes para manter essa cultura viva."
E caso você, que esteja lendo esse texto, queira começar uma banda ou tem uma e não sabe qual caminho seguir, Milton deixa um recado; "encontre as melhores pessoas possíveis pra fazer arte junto com você. Façam algo de que vocês realmente se orgulhem, aprendam a se organizar, usem as ferramentas disponíveis e, principalmente, saibam se conectar com as pessoas. E tem uma coisa que considero essencial: divirtam-se no processo! Façam música porque aquilo representa quem vocês são, não porque querem pertencer a algum lugar ou se encaixar em alguma coisa."
Sobre tocar pela primeira vez no Suiça Bahiana, Milton diz que o festival "tem uma característica que valorizamos muito: é um festival plural, que reúne diferentes expressões artísticas e públicos. E isso é muito importante pra gente, porque é uma oportunidade de apresentar o hardcore para pessoas que talvez nunca tenham ouvido o Bayside Kings ou tido contato com bandas do nosso universo. No fim, é sobre essa troca. Conhecer pessoas, encontrar outras formas de fazer arte, compartilhar o que a gente acredita e aprender com tudo isso. Cada lugar por onde passamos acrescenta alguma coisa à nossa história."

2-As Caramelas
As Caramelas. Foto: Ulisses Narciso

Diferentemente da Bayside Kings, As Caramelas é uma banda literalmente nova. No perfil do grupo no Instagram elas se definem como "meninas crianças tocando rock!"
Ainda assim, As Caramelas, apesar do repertório ser na sua maioria de covers, já busca produzir som autoral, aguardando apenas a disponibilização do pre-save da sua primeira música nas plataformas. Formada pelas irmãs Maya Love (Guitarra) e Gaia Moon (bateria), completa a formação Sophia Foxy (vocal e baixo).

3-Flor ET
Flor ET. Foto: Divulgação

Tropicalismo Punkeado. Assim a Flor ET se define. Eu vou ser sincero, ouvi o som da banda e não consegui descrever o que seria isso. Só vendo ao vivo pra tentar entender. A banda se apresentou no Suiça Bahiana no ano passado, mas eu estava em turnê em SP e não pude assistir. Pelo visto, convenceu, fazendo com que fosse convidada novamente.
Fundada no final de 2016, em Porto Alegre (RS), em junho de 2024 se mudaram para São Paulo, para trilhar novos caminhos. E parece que deu certo. A banda tem circulado por muitos festivais pelo Brasil em palcos relevantes como Circo Voador (RJ), Festival Timbre (MG), Psicodália (SC), Morrostock (RS), dentre outros.
Com influências contrastantes: de Chico Science a Bjork, de Elza Soares a Tool; convergem em sua identidade riffs de guitarra e saxofone com batidas que balançam até headbangers. É nessa miscelânea sonora que se tornam livres na arte de musicar.
“O corre é doido, podem tentar nos brecar!
O corre é doido, é difícil segurar!”
Com esse refrão na música “O corre”, a banda reflete questões sociais, sobre como é doido viver no Brasil com tanto moralismo, mesquinhez e oportunismo.
Outro destaque é a energia que a banda passa nos shows (que vi no youtube). A multiartista e vocalista Ada Bellatrix tem uma presença de palco incrível! Conversei rapidamente com ela sobre essa volta ao festival e como foi a experiência do ano passado. "Foi muito importante pra nossa caminhada participar do Suiça Bahiana no ano passado, nossa primeira aterrissagem no Nordeste. O Festival tem uma energia única, produzido por pessoas incríveis e com um público muito caloroso. A gente se sentiu acolhido pela galera. Tamo muito feliz de retornar e poder tá somando no line desse ano. A expectativa é aquela energia lá em cima, galera chegando junto, cantando com muito balanço e consciência, tudo junto e misturado."
Para Ada, festivais como o Suiça Bahiana são fundamentais para bandas autorais. "É ultra necessário e fundamental pro desenvolvimento de novos artistas. São poucos os festivais que abrem portas e valorizam bandas emergentes. É muito interessante esssa construção coletiva onde o festival propõe e o público compra a ideia de realmente estar presente, curtindo quem já conhece e também as novas descobertas. O Suiça Bahiana é referência em formato, curadoria e energia. Que seja eterna inspiração e resistência da cultura brasileira", disse a vocalista.
Ano passado perdi, mas esse ano quero ver esse show!

4-Las Fokin Biches
Las Fokin Biches. Foto: Divulgação
Agora uma banda estrangeira, entre as quatro de outros países que estarão no festival. Las Fokin Biches é uma banda mexicana de punk rock feminista originária do México. Com um discurso explicitamente focado na resistência, no protesto antissistema e no combate à violência patriarcal, o grupo utiliza suas canções como ferramentas de ativismo e catarse coletiva.
Após gravarem o primeiro disco intitulado "Relatos Siniestros Sólo para Dementes" que teve como destaque a música "Perras", a Las Fokin Biches expandiu seu trabalho com a turnê Fuga Tour 2026, passando por diversos palcos no México, como também no Reino Unido, Espanha e Colômbia. A turnê também conta com shows no Brasil em cidades como São Carlos/SP, São Paulo/SP, Sorocaba/SP chegando também (que bom) no Festival Suíça Bahiana.
Quem me falou sobre a banda foi meu amigo Yuri Epc (Brujox). Pesquisei sobre e percebi que há uma preocupação com lançamentos em clipes. Vi bastante material desse tipo, muito bem produzidos, por sinal! Recomendo darem uma olhada no canal da banda no Youtube.
Mais um show que acredito que será histórico e marcante no Festival Suiça Bahiana. Estarei lá na frente, pra ver de perto a performance das garotas!

O Festival Suiça Bahiana terá ainda artistas locais como Lívia Ellen, Dona Iracema, Pipa, Outra Conduta, dentre outros, que também recomendo e tenho certeza que farão grandes shows.

Direitos de LGBTQIAPN+
Esse ano, em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos, por meio da Coordenação de Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de LGBTQIAPN+, está garantida a entrada sem custos de pessoas trans, travestis e não binárias. Para participar é só preencher o formulário de inscrição, até 15 de outubro, disponível no insta do festival.

FSB Academy 2026
Outra opção oferecida pelo festival é o FSB Academy 2026 que abriu  inscrições para cadastramento de estudantes de Comunicação Social, Jornalismo e Cinema e Audiovisual.
A experiência vai acontecer durante o festival e inclui acompanhamento de profissionais, produção de conteúdo, troca de conhecimentos e certificado de participação, mesmo que o estudante não tenha experiência profissional anterior.

Feirinha e Espaço Kids
O Festival Suiça Bahiana oferecerá também uma lojinha com produtos oficiais como: camisa, boné, ecobag, copo eco e chaveiro. Esses itens também podem ser adquiridos no site do Sympla, no momento da compra do ingresso e retirados posteriormente na loja no dia do festival.
Ainda será instalada uma Feirinha com venda de artesanato, alimentação,  LPs e Camisetas.
Já o Espaço Kids foi pensado para acolher os pequenos, promovendo conforto e diversão durante a programação com oficinas e brincadeiras. Então, se ligue na programação no Instagram do festival para não perder nenhum show! Nos vemos por lá!
Programação Espaço Kids

Serviço:
Festival Suiça Bahiana
Dias 17 e 18 de outubro de 2026
Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
Vitória da Conquista-Bahia


quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Signista lança seu novo álbum


A banda baiana Signista acaba de disponibilizar seu novo disco Signismo. O quarto álbum de estúdio, conta com 11 faixas inéditas e autorais.
Gravado de forma totalmente independente entre 2024 e 2026 no Estúdio Luart, em Vitória da Conquista, o álbum teve a engenharia de gravação de Arthur Fabiano e reúne Reno Signista (guitarras e vocais), Hard Lobo (guitarra e backing vocals), Fabião (bateria) e Edu/Pedro Lucas (baixo).


A arte da capa é uma obra do artista plástico e músico baiano Zeca Metal, nascido em Feira de Santana, mas morador de Conquista há muitos anos. Com Signismo, a Signista reafirma sua identidade e sua trajetória na produção musical independente da Bahia se consolidando também como uma das mais importantes do cenário conquistense.

Signista: Reno, Diegão, Lobo e Fabião

Reno, vocalista e guitarrista da banda, falou sobre a expectativa deste novo lançamento. "A expectativa é que a gente alcance mais pessoas, que ainda não conhecem o som da banda. E a galera, que é fã mesmo, tava esperando bem ansiosa por esse álbum".
A banda prepara um show de lançamento, mas enquanto não definem data e local, a Signista irá fazer uma participação em um show no dia 24, ainda também sem definição de local, mas com as bandas Autolesão, Princípio Ativo, Há Vida em Marte e Rust Tape.
Em breve novas informações aqui no blog!

Contato:


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Lívia Ellen lança “Minha Voz”, novo single produzido por DJ Serginho MPC


Eu não me lembro exatamente como e quando conheci Lívia Ellen. Mas uma coisa eu percebi logo de cara; ela é uma artista pronta e que tem muito o que dizer! Tanto que a convidei para participar de uma faixa do meu disco "Berrante Controlado", dividindo não só os vocais, mas também a letra, comigo e Antonio Candomba.
Dito isto, nesse momento conturbado em que estamos vivendo no Brasil e no mundo, precisamos de mais Lívias!
Em “Minha Voz”, single lançado recentemente, Lívia Ellen transforma indignação e reflexão social em música. Com uma sonoridade marcada pelo rap, a faixa aborda desigualdade, poder, exploração e as dificuldades enfrentadas por quem luta diariamente para sobreviver. Pessoas como eu, você e tantos outros milhões!
A música parte de uma ideia central: enquanto a população se cala, a mudança não acontece. Quer algo mais atual do que isso?
Em sua escrita, Lívia questiona estruturas de poder e transforma a própria voz em instrumento de resistência.
“Minha Voz” tem produção de DJ Serginho MPC e já está disponível nas principais plataformas digitais. Ouça no play abaixo.

Sobre a artista
Lívia Ellen é cantora, compositora e autora de Vitória da Conquista, Bahia. Com uma trajetória construída de forma independente, transita pelo rap e por diferentes vertentes da música urbana, incorporando elementos de boom bap, trap, drill, R&B, funk, reggae e rock.
Com quase 50 lançamentos, Lívia reúne trabalhos solo, feats, cyphers, videoclipes e projetos audiovisuais. Sua música aborda temas como território, maternidade, autoestima, sobrevivência, desejo e resistência, consolidando sua identidade como uma das vozes femininas mais atuantes na cena independente do sudoeste baiano.

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