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sábado, 12 de dezembro de 2020

CIPA Rap vem de voadora em novo CD

CIPA Rap é Lívia Ellen, Bit Macário e Miro Mc
O Blog Tosco Todo, não é de rap, todos sabem disso. mas já postei alguns artistas que são dessa vertente aqui no blog, desde que eu perceba que o que fazem é verdadeiro. O grupo Conquistense CIPA Rap é um desses, e lançou hoje seu novo trabalho.
O CD "Enfrentando Dragões" já está disponível na íntegra nas principais plataformas, como Deezer, Spotify e Youtube. Formado por Miro Mc e Bit Macário em 2012, desde 2018 virou um trio, com a entrada de Lívia Ellen. Agora eles vem com tudo e mandam esse recado; "Atenção a todos os envolvidos e apoiadores da família CIPA rap. Agradecemos por cada um que acreditou e esperou ver esse trabalho no ar. São 14 faixas de muito trabalho, dedicação e paixão, em função desse corre."
O disco foi gravado em Conquista com produção da Traficando Ritmos, mas também teve 4 faixas gravadas em São Bernardo do Campo-SP,  por Serginho MPC.
Escutando o disco, logo após a faixa de introdução, eles mandam, quase como uma oração, os versos de "Poesia Bruta" que diz: "A cada dia, vivemos lutando, em busca da superação/matando um leão por dia e ainda tendo que aturar cuzão." A faixa seguinte, que dá título ao disco, manda logo essa; "Eu já estou acostumado/estar em campo minado/enfrentando o meu dragão". É aquele lance de ter que saber onde pisa, com quem anda, quem agrega, quem atrasa. Essa pra mim é uma das melhores faixas do disco, juntamente com a faixa "Paz que carrego", com umas patadas diretas na galera ostentação, ou que vive só de pancadão. Para essa galera sem noção, a CIPA Rap dá o recado; "Nada contra quem bate o bum bum no chão, ouvindo pancadão/mas não é porque rebola que tem que perder a visão, irmão."
Outra faixa que me chamou a atenção, foi uma vinheta no meio do disco chamada "Interlúdio", que é um depoimento da avó de Lívia Ellen, falando sobre a sua visão sobre a pandemia de Covid-19 e a postura (ou falta dela) do (des)governo do atual presidente, que me recuso até a digitar o nome desse desgraçado aqui no meu blog. A vovó dá a idéia, sem curva, diretona na sua cara!
O disco é pesado, e apesar de eu não ser nenhum especialista em rap, pois todo mundo sabe qual é minha praia, posso dizer com toda a certeza que esse é um disco histórico pra cena aqui da cidade, não só pelo simples fatos de terem gravado e registrado seus anseios e frustrações com essa sociedade hipócrita e injusta, mas principalmente por se preocuparem com o conteúdo das suas letras. Quem dá a voz hoje na periferia é o rap e o hip hop, e se a gente quer mudar algo, tem que ser na base, na rua, na periferia. E esse trabalho consciente a CIPA Rap vem fazendo já há bastante tempo. Sem mais, ouça e enfrente seus dragões!!!
CONTATOS:

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Siloque lança o Guia Prático de Como Fazer Inimigos

Siloque
Esse blog não é especializado em rap e hip hop. Mas esse trabalho de Siloque me chamou a atenção pelas letras diretas e contundentes, como é no punk também. E Siloque se mostra punk nesse trampo, chegando de voadora no peito da hipocrisia dessa sociedade conservadora e predatória, mostrando de fato o perfil do tão falado “cidadão de bem”. Sendo assim, não tenho porque não divulgar esse trabalho aqui no blog!
Oriundo de Águas de São Pedro e atualmente vivendo em Jaguariúna, ambas as cidades de SP, o rapper possui três discos solo: “Queime o Coração de Gelo”, de 2016, “Nova Inquisição”, de 2017. E o novíssimo EP “Guia Prático de Como Fazer Inimigos”, é o terceiro trabalho do rapper, e nesse registro conceitual, a inspiração vem do caos politico que o Brasil vem atravessando e traz um panorama da sociedade que vem “batendo palminha pra louco dançar”, como versa em uma de suas faixas.
O "Guia Prático de Como Fazer Inimigos" foi idealizado graças a um esforço coletivo entre Siloque, o portal Submundo do Som, MilGrauTape Studio e Firefish Design, que se juntaram no objetivo comum de trazer um trabalho preciso para o rap nacional.
Como o nome sugere, Siloque assume uma postura e não se isenta. Diferentemente do padrão atual do rap, o MC não fica em cima do muro. O álbum possui seis faixas e foi gravado e mixado no MilGrauTape Studio, em Jaguariúna/SP, e contou com a participação do rapper Teagacê, de Natal/RN, do rapper Sé, de Itu/SP e do grupo Synestesia de Jaguariúna/SP. Os instrumentais ficaram por conta de Flavvour Beats, com exceção de dois beats, um feito por Léo Machion e o outro de autoria do próprio Siloque, sob a alcunha Silasman, que também assina a produção do disco, além de Jeff Ferreira na produção executiva.
A faixa que abre o EP é um tapa na cara da intolerância e da manipulação através das mídias sociais e eu quero deixar a letra aqui na íntegra:
Fake News

Eu não!
Eu não!

Vocês se alimentam de fake news.
Vivem por likes e views!
Sinto que falta-lhe skills!
Minto! Lhe falta vergonha na cara,
vocês invocaram esses dias sombrios.
Claro que nunca cê sabe de nada,
batendo palminha pra louco dançar.
Batendo palminha, tirando fotinho,
fazendo dancinha, eu não vim pra brincar!
Destrava o caminho, cuzão!
Coração de gelo, cuspindo fogo!
Tem empecilho na sua ilusão.
É o sétimo selo e tá feio esse jogo!
Essas crias de Hitler saíram do armário,
esse bando de otário a se manifestar.
Sinais de que nada vai bem.
Decide, meu bem. De que lado cê tá?
A banda podre comemora assassinato.
E a bandeira pega fogo, suja seu porcelanato.
E a vontade é meter o louco e fugir pro meio do mato.
Olha o que tá acontecendo em sua volta, é tudo fato.
Cê num enxerga porque é burro demais!
É burro demais e não quer
dar seu braço a torcer.
É burro demais!
Limitado demais pra poder perceber.
Que vai faltar sangue pro clã dos vampiros.
Querem ver mortos! Querem ver tiros!
Querem esse povo saindo de giro,
com a vida indigesta, faltando respiro. 
Pros conservadores não mostrem mamilos,
Ostente suas armas, levante pro ar!
Leia um trecho da bíblia pro amigo!
Cê finge que entende, e ele volta a pecar.
A revolta começa do lado de cá,
do lado de casa, do lado da sua!
O lado que um dia eu escolhi pra ficar,
é o mesmo de sempre, até a sepultura. 
Cultura de estupro! Jack pastores!
Bancada evangélica = Escola de atores. 
Cultura bélica pros opressores.
Maquiavélica, ao vivo e a cores!
Polícia golpista bate em professores, 
em prol dos bandidos e seus assessores.
Assalto sem arma, inversão de valores!
Salve Tia Clóris, Tia Alice e Dolores.
Brasileiro quer vantagem!
Fala do político, é semelhança e imagem!
Na mesma posição faria as mema piolhagem!
Cê tá ligado, é papo reto, não é viagem!
Não é viagem!
Cromossomos com defeito.
Sob efeito todos estamos.
Todos somos mau exemplo,
onde quer que estejamos.
A paz mental que vai.
Os comensal que traem.
Nesse caos eu tô no fole
e os bunda mole é os primeiro que cai! Ai!
É tão difícil debater
com esses crustáceos.
Vai ver fuder na rede em pé,
talvez seja mais fácil.
Em que ponto de vida você decidiu
“Agora vou ser um babaca”?
Talvez tenha sido já de juvenil,
não desenvolveu suas ideia que é fraca!
Aqui é sem fraude, padre!
Não é fugazi, nazi!
Maluco? Já tô quase!
Mas da sua laia eu tô legal, cuzão!
A gente fica decepcionadaço!
Tem pouco circo pra empregar tanto palhaço!
Cês só refletem a escrotidão do seu fracasso!
Se eu falar, cê não acredita,
então registra esse golaço!
Campanha grátis também faço,
contra a estupidificação! 
Cês calado são poetas,
e melhor dormindo, então!
Uma mutação escatológica!
Quanto mais tenta entender, 
piora! Não tem lógica.
Tipo um paradoxo, piratox!
White pardos, cientólogos e ancaps.
Em busca da terra plana,
na era do Google Maps.

Dá o play e se liga!!!
Contatos:
Facebook.com/siloqueoficial
Email: siloqueoficial@gmail.com
Com Assessoria de Jefferson F. Wesolowski
Email: jefferson.wesolowski@gmail.com
Fone (19) 9 8298 8212

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Asfixia Social dá a voz em novo single

Asfixia Social
Em tempos sombrios em que a política nacional está sendo discutida entre Ditadura ou Democracia, o empoderamento é a ação social coletiva de participar de debates que visam potencializar a conscientização civil sobre os direitos sociais e civis. Esta consciência possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva necessária para a superação da dependência social e dominação política.
E empoderamento é o tema de “Nóiz tem a Vós”, novo single do Asfixia Social. O grupo, baseado no ABC e Zona Sul de São Paulo, chega com rimas diretas quando diz: "Não se trata da história deturpada nos livros/Mas da versão dos nativos sobre seus assassinos/Que controlam governos, controlam eleições,/Com estratégias de dominação e emburrecimento."
 E, quase como numa poesia falada, convida todos para pensar acerca de nossa identidade cultural, sobre o Brasil e o mundo a partir de nossa história e referências locais, estimulando uma reflexão sobre as realidades de toda a América e sua afro-latinidade.
Em “Nóiz tem a Vós”, Kaneda Mukhtar (Voz, Trompete e Trombone), Rafael Santos (Guitarra), Leonardo Oliveira (Baixo), Marcelo Sampaio (Guitarra) e Rodrigo Silva (Bateria) se juntam a um time internacional de artistas convidados para falar da importância do conhecimento da própria história e do poder que emana do povo que conhece suas raízes.
Com uma mistura de rap, soul, rock, música brasileira e caribenha, o novo single e lyric video conta com as participações do MC cubano El Cepe (integrante do grupo La Invaxión a Occidente), do trompetista italiano Gabriel Rosati, do trombonista Itacyr Bocato e do percussionista Rafael Franja, e tem como tônica o empoderamento do povo e o entendimento de que a arte é um elemento capaz de questionar padrões, alterar estruturas e propor um novo jeito de viver em sociedade.
MC cubano El Cepe participa de “Nóiz tem a Vós” 
O single mostra o que está por vir no próximo álbum da banda, “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”, que será lançado no início de 2019 em formato de Livro-disco, incluindo ilustrações de crianças e adolescentes de 10 escolas públicas e instituições culturais da Grande São Paulo por onde o grupo realizou oficinas e shows. Nela o Asfixia Social deixa seu recado: só juntos somos resistência e capazes de transformar o mundo no lugar que desejamos.
No vídeo do single “Nóiz tem a Vós”, é mostrado o grupo em estúdio durante a gravação em São Paulo, nos Estúdios Top Noise, e na cidade de Artemisa, Cuba, onde reside o MC El Cepe. Dê o play!

sábado, 7 de abril de 2018

Asfixia Social lança single antecipando novo álbum

Asfixia Social-Rodrigo (esquerda), Kaneda, Rafael (acima) e Leonardo.
A banda Asfixia Social, de origem do ABC e Zona Sul de São Paulo, antecipando o novo álbum de inéditas, acaba de lançar o single “Sistema de Som(a)". Influenciada pelo punk e hip hop, flertando com o rock, rap, ska e hardcore, a banda mostra no single "Sistema de Som(a)”, a força das ideias e toda musicalidade que estará presente no álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”, já em processo de mixagem e com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2018.
O single “Sistema de Som(a)” é o primeiro lançamento do Asfixia Social desde o álbum “Da Rua Pra Rua” (2011), que levou a banda para diversos festivais, além de uma turnê em Cuba, que gerou o excelente registro em DVD “Cuba Punk - Asfixia Social”.
“Sistema de Soma: A Quebrada Constrói” foi produzido por Marcelo Sampaio (Estúdios Top Noise). Nesse disco a banda consolida a nova formação com Kaneda Mukhtar (Vocais, Rimas, Trompete e Trombone), Rafael Santos (guitarras e voz), Leonardo Oliveira (Baixo e Voz) e Rodrigo Silva (Bateria).
Em "Sistema de Som(a)", a banda destaca a força coletiva da música e da cultura de rua no Brasil e no mundo, diretamente influenciado pelos Sound Systems jamaicanos surgidos nos anos 50 e pela poesia do abolicionista baiano Castro Alves, revivendo seu texto "Saudação a Palmares", de 1870.
Esse single é um mix de ska, rap, rock, samba, funk/soul, e teve participações especiais do trombonista Bocato, do italiano Gabriel Rosati no trompete, do sambista Petróleo e do DJ Tano (Z'África Brasil).
“Sistema de Soma: A Quebrada Constrói", será lançado em formato de Disco-Livro contendo as poesias que inspiraram o disco e ilustrações de alunos de 10 escolas públicas de São Paulo por onde a banda realizou oficinas de poesia, hip hop e shows.
Da rua pra rua, a quebrada constrói!
Dá o play!
Informações e Contatos
Email - showsasfixia@gmail.com
WhatsApp - (11) 981939508
Site - www.asfixiasocial.com.br

sábado, 26 de setembro de 2015

Asfixia Social grava documentário em Cuba

A banda paulista Asfixia Social acaba de lançar o seu mais novo trabalho, o documentário "CUBA PUNK", gravado durante a turnê da banda pela ilha. E pra nos falar um pouco mais sobre esse projeto e também sobre a banda, conversei com o Kaneda, vocalista da Asfixia Social...acompanhe e assista ao documentário!
Kaneda - Asfixia Social
Primeiramente, fale um pouco sobre a Asfixia Social...onde e quando surgiu, quais materiais lançados?
Kaneda - Salve manos e minas, Tosco Todo! Primeiramente parabéns pelo trampo aí em Vitória da Conquista! O Asfixia Social surgiu em 2007, numa conexão entre São Bernardo, Belenzinho e Diadema, região metropolitana de São Paulo. Lançamos o disco "A Guerra tá na tua porta, não só em Bagdá!" em 2008, que é praticamente um manifesto de revolta dessa molecada que como nós cresceu nas entranhas da periferia e passou a entender o mundo um pouco melhor. Tínhamos ali 16, 17 anos, e como cada um curtia um tipo de som (rap, punk, reggae), passamos a misturar. A banda trazia uma mensagem forte, um trabalho social forte junto a cultura hiphop e nossas comunidades, e levamos isso adiante buscando uma identidade própria. Em 2011, lançamos o álbum "Da Rua pra Rua", que posteriormente saiu em CD e Vinil 12" no Brasil e Alemanha, e em formato DVD (2014) gravado ao vivo no Festival Da Rua pra Rua 2013, que celebrava os 6 anos da banda. Gravamos a trilha sonora do filme "O Sepulcro do Gato Preto" (2014, Oloeaê Filmes) e recentemente lançamos o DVD-Documentário "Cuba Punk - Asfixia Social".
BAIXE AQUI - DA RUA PRA RUA - ASFIXIA SOCIAL
E de onde surgiu a idéia de fazer a turnê em Cuba?
Kaneda - Em 2014, eu e Alonso, participamos do Conselho Internacional de Teatro de Bonecos com o grupo brasileiro XPTO, representando o Brasil junto a outros 80 países em Cuba. Na oportunidade, deixamos uns CDs do Asfixia Social lá. Quando não estávamos apresentando o teatro, participei de algumas rodas de improviso, e me convidaram pra rimar em Matanzas com uma banda de salsa pra umas 20.000 pessoas, e lembro que a coisa girou bem rápido, a galera curtiu muito o som. Passavam por bluetooth uns pros outros nas praças das cidades. Daí, conhecemos todo mundo da cena, a galera agilizou muitos contatos e ficou empolgada com a tour. Em 2015, junto às bandas, secretarias de cultura e produtores de lá, organizamos uma tour de 10 shows, 20 dias. Éramos a primeira banda brasileira a fazer uma tour em Cuba, e com o apoio da Oloeaê Filmes lançamos recentemente o documentário "Cuba Punk - Asfixia Social", que é também o primeiro registro em alta qualidade da cena underground de lá.
Kaneda, Leonardo, Alonso e Rafael formam a Asfixia Social
E chegando em um país com uma ditadura socialista, qual a imagem que vocês trazem dessa turnê?
Kaneda - Cuba é um país muito louco, e parece muito com o Brasil em vários aspectos. Pra resumir usando o termo "ditadura socialista", o que vimos lá é que a ditadura deixou sequelas terríveis como aqui no Brasil, com relação à censura e perseguição política. O socialismo cubano enquanto isso formou uma sociedade muito bem estruturada no diz respeito à educação, moradia, saúde pública, e direitos básicos, assim como o modo como promovem e valorizam a cultura do país. Hoje, a moeda cubana é muito desvalorizada, e uma passagem pro exterior é absurdamente distante se você recebe um salário mínimo lá. Ao mesmo tempo, você não vê nas ruas a miséria extrema como no Brasil e em outros países da América Latina. Lá a internet é bem restrita e cara. Ao mesmo tempo, as pessoas não são tão estressadas como aqui. Estudam aquilo que gostam. O transporte dentro das cidades é ótimo. O transporte intermunicipal é precário. Mas uma coisa é muito diferente do Brasil: a violência lá beira o zero. Os caras ficam abismados com o que acontece no Brasil. O Brasil é líder do ranking mundial de homicídios. São mais de 100 assassinatos por dia e uma polícia muito violenta. Em Cuba isso é muito diferente, tanto com relação à violência, quanto com relação a uma polícia que muitas vezes nem anda armada.
Rafael - Guitarra
No documentário é visível a presença e resistência do movimento punk underground na ilha. Como foi essa experiência? Rolou algum tipo de censura ou barreira por parte do governo cubano em relação a presença de vocês por lá?
Kaneda - Na chegada e primeiro show, a gente foi recebido pela banda Eztafilokoko, que é praticamente uma família punk. Eles moram no subúrbio de Havana, em La Lisa, e apesar de serem um pouco mal vistos por alguns (e bem vistos por outros) da comunidade, não têm muitos problemas com a polícia ou o governo. Fora as discussões com os vizinhos por causa do barulho no estúdio, que fica no telhado da casa... Nas outras cidades, as bandas Adictox e Arrabio nos receberam, e eram bastante envolvidas com as casas de cultura, espaços públicos, etc. Organizam várias paradas, e não têm muitos problemas. Em Jagüey Grande, a cena punk ocupa um cinema abandonado, e os caras são mais adeptos da ação direta. O Alejandro, um dos punks de lá, foi preso por não querer servir o exército... a mãe dele nos disse que ele se fez de louco por um tempo e convenceu os caras que tinha problemas mentais, pra não ficar 3 anos no exército. O serviço militar lá é obrigatório.
Em vários momentos do documentário tem a música "Pela paz" do Cólera. Qual a visão que o punk cubano tem do Brasil? Quais as principais influências brasileiras você percebeu dentro do movimento cubano?
Kaneda - Antes e depois dos primeiros shows com o Eztafilokoko, ficávamos ouvindo um som e tocando outros... do Asfixia Social, do Cólera, do Z'África Brasil, e eles passaram uns sons pra gente, do Eskória, Arrabio, Eztafilokoko, Adictox... Na "A Banca" geralmente chamamos os MCs e o público pra cantar, e "Afaste-se" virou "Apartate". Daí, de repente "Pela Paz" virou um hino, "Por La Paz", e foi genial a forma como a música uniu as bandas no palco. Mas fora isso, os caras não conheciam muito... levamos pra eles um HD só com música brasileira e os caras piraram... mas só conheciam mesmo algo de Sepultura, que fez um show lá há alguns anos, e Roberto Carlos, que tá em todas as novelas brasileiras que passam lá.
Leonardo no baixo.
E quais as referências punks mundiais que eles tem?
Kaneda - Os caras ouvem muito punk latino e espanhol. A língua aproxima os caras... ouvem bastante Ska-P, Eskorbuto, e ouvem claro as bandas mais clássicas como Dead Kennedys, Clash, etc. Mesmo assim, o acesso sempre foi muito restrito, e os caras correm atrás pra conseguir um disco de uma banda gringa até hoje.
Alonso na batera.
E vocês, sendo uma banda que mistura vários estilos, como o hip hop, o ska, o punk, dentre outros, no final dessa turnê, olhando para trás, o que vocês trazem de cuba pode gerar alguma influência nos próximos trabalhos da Asfixia Social?
Kaneda - Esse foi um ponto muito positivo pra gente, por cantar em português no exterior, e ter essa versatilidade no som e por interagir com o público. A música realmente une, e além de cubanos e latinos, tinha muita gente da Europa, Estados Unidos, África e Ásia nos shows. A mistura passou a ser não só no palco e no som, e tinha gente presente de várias idades, gostos, e que deixavam de lado muitas vezes as diferenças, passando a ver o punk e o hiphop de uma forma diferente.
Acho que traz umas influências bem legais pra cada um da banda, nas vozes, cordas, percussão, metais e visão de mundo. Cuba é um país muito diferente, complicado em muitos aspectos, mas que descomplica vários outros, e que chegou a resultados excelentes na formação de seus cidadãos. Além disso, vivenciar nossa música em outro país reforçou principalmente algumas coisas em outros idiomas no nosso terceiro disco, que já estavam presentes, mas que depois da tour passaram a ser bastante necessárias.
Em Trinidad, Cuba: Leonardo, Rafael, Alonso, Kaneda, Carlos Peixoto (Tequilla Bomb)
Parabéns pela turnê e pelo registro histórico. O espaço é de vocês pra falar o que quiserem:
Kaneda - Muito obrigado pelo apoio e pelo espaço, e parabéns novamente pelo corre. A gente espera tocar muito em breve em Vitória da Conquista e estar novamente no Nordeste, nossa segunda casa!
Nosso terceiro e novo disco sairá em breve, e qualquer informação sobre o Asfixia Social, como vídeos, dvds, músicas, letras, agenda de shows, etc, estão no www.asfixiasocial.com.br.
Sem você não somos nós e a parada é a seguinte, que JUNTOS SOMOS RESISTÊNCIA! Vamo nessa!