quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Entrevista com Marivan Ugoski da Rock Soldiers

Hoje tive um papo com Marivan Ugoski, idealizador da série clássica de coletâneas Rock Soldiers. Seu envolvimento com o rock começou como o de muitos jovens; através de um parente próximo! Se ligue na entrevista e conheça um pouco mais sobre a história desse cara guerreiro do underground!

Marivan Ugoski

Marivan, vamos iniciar falando como começou a sua vivência com o rock?
Marivan-Primeiramente, obrigado pelo reconhecimento ao meu trabalho tanto como músico quanto produtor. Tudo começou em eu mesmo buscando por um som, um estilo diferente do que eu tinha acesso no início dos anos 80. Eram só as músicas do meu pai e o que tocava na rádio AM na época.
Até que um dia fui viajar para a cidade de Canoas (RS) com meus pais e encontrei um primo que era mais velho do que eu, o qual eu expliquei pra ele que procurava algo diferente em termos de música que não fosse o que tava na mídia.
E aí veio o pulo do gato!kkkk...esse meu primo me apresentou uma fita K7 que tinha AC/DC, Judas Priest, KISS, Black Sabbath, entre outras e aí foi a porta de entrada. Fiquei louco, comecei anotar os nomes das bandas pra começar a comprar os LPs e aí só fui ampliando os meus conhecimentos.

Você nasceu em Pelotas e depois mudou de cidade. Como foi isso? Essa mudança influenciou de algum modo a sua forma de ver o rock?
Marivan-Pior que não. Eu vivi 40 anos em Pelotas, uma cidade que por alguns anos foi considerada a segunda maior do Rio Grande do Sul, só perdia pra capital. Eu mudei por motivos pessoais e profissionais. O rock só crescia. Tive muito acesso ao rock/metal em Pelotas que inclusive na época tinha uma cena forte com muitas bandas surgindo no final dos anos 80. Minha visão em relação ao rock só crescia!

Sua primeira banda foi a Débil Metal, né, em que ano foi isso? Qual era o estilo e chegaram a gravar algum material?
Marivan-Eu entrei nessa banda em 1986 apenas como vocalista e a banda era praticamente de cover, foi a minha primeira banda, só tinha uma única música própria e era numa pegada Heavy-Metal.

Em 1987 você já estava com outra banda, chamada Atro (que depois mudou a grafia para Attro), e lançou a primeira demo-tape em K7. Essa banda você ficou um tempo maior, né? Qual era o estilo e quantos materiais foram lançados?
Marivan-A Débil-Metal terminou no final de 86. E exatamente em 21/02/1987 eu estava realizando o primeiro ensaio da ATRO, essa sim, minha banda e além de vocalista eu já estava como baixista, inclusive o guitarrista que não entrou na Débil-Metal foi tocar comigo.
Lançamos a demo em K7 "DEATH FOR THOSE WHO", participamos de algumas coletâneas na época, inclusive uma em LP. Depois vencemos o concurso da STANER 21 ANOS em primeiro lugar que resultou no CD "BREAKER" (1995) e depois lançamos o álbum "MAKING UP FOR THE WASTED TIME" de 2003 que, na minha opinião, foi o melhor trabalho da ATTRO. A banda ficou na ativa até 2011 e o estilo predominante da ATTRO foi numa linha heavy/thrash com exceção da época do BREAKER de 94 a 96 que saiu numa linha mais Hard/Heavy, que eu saí dos vocais e fiquei apenas como baixista. Tinha um vocalista e a banda estava em um quarteto. Foram 24 anos de ATTRO! Essa grafia foi adotada em 2003, pura numerologia!

Pois é, mas antes disso vocês já tinham participado de algumas coletâneas. Foi aí que deu o "estalo" pra criar sua propria coletânea?
Marivan-Com certeza foi, e além de músico agora sou produtor executivo.

Marivan Ugoski é Produtor Executivo da Coletânea Rock Soldiers

Quando foi criada a UGK Disccos? E aproveitando pra falar em números, você sabe quantos CDs já foram distribuídos e quantas bandas já participaram da coletânea Rock Soldiers?
Marivan-Criei a UGK Disccos em 1997 e os números são em torno de umas 700 bandas participantes. Até o presente momento, foram 36 volumes lançados, sendo 02 DUPLOS, quase 40.000 CDs prensados!

Acredito que já tenham participado bandas de todos os estados brasileiros da Rock Soldiers. Mas também já teve até banda estrangeira. Aí o alcance aumenta, né?
Marivan-Isso. Não existe nenhum Estado do nosso Brasil que não tenha uma banda na ROCK SOLDIERS e mais as bandas gringas da Alemanha, Japão, EUA, Portugal, Costa Rica, Peru, Chile, Argentina, Inglaterra e etc. Com certeza, o objetivo é romper fronteiras !


Falando novamente nas bandas nacionais, eu me lembro que a primeira coletânea Rock Soldiers que chegou nas minhas mãos, era o volume 3, tinha uma banda da Bahia, e foi isso que me chamou a atenção, fazendo com que eu escutasse o CD com mais cuidado, vendo de onde as outras bandas eram. Aí a gente tá falando de anos 90/2000, época de pré internet, do tempo de cartas enviadas pelo correio. Como você vê a cena daquela época em relação a de hoje, dos tempos de música digital?
Marivan-Vejo como uma faca de dois gumes, pois até o volume 04 eu fazia os contatos e acertos tudo pelos correios e cartas, mas a mídia física estava em alta e super valorizada. Depois veio a internet que facilitou demais nos contatos com as bandas, no envio do material, porém o CD físico ficou descartável, principalmente pra essa nova geração.


Eu fico imaginando um site ou servidor desses, tipo spotify e tal, se um dia um milionário excêntrico resolver comprar e mandar apagar tudo, dando um grito arrogante tipo "apaga essa porra toda"! Eu me lembro da época do myspace em que um monte de material sumiu depois que acabaram com o site. Muita banda só lançou lá, digitalmente, não fez o CD, vinil nem k7.
Já a mídia física, é bem mais difícil de "desaparecer", vamos dizer assim. O que você pensa sobre isso?
Marivan-Também li à respeito que tem aumentado em até 15% o consumo da mídia física, LP e até a fita K7, isso é ótimo, eu acredito muito no registro físico, esse lance de ficar "solto no ar" kkkkkk...não é comigo.
Eu sei que é importante pra divulgar, mas que não precise abrir mão da mídia digital, tem como levar os dois de boa, porque a hora que cair essa internet ou simplesmente se apagar, milhões de trabalhos serão perdidos.

Então, saiu essa pesquisa dizendo que as vendas de CDs voltaram a subir, até mais do que a de Vinil. Isso foi impulsionado pelos fãs de K-pop. Mas a gente que tá no underground com banda autoral sabe que a galera ainda compra material físico. Você acha que o CD pode voltar como foi aquele "boom" da volta do Vinil?
Marivan-Com certeza, principalmente o público Rock que são consumidores de paixão, colecionadores e que querem ter em mãos além da mídia física, o material gráfico, até porque o rock é um estilo diferenciado e não é música descartável.

E hoje, quais são os seus projetos? Você agora tem um projeto de um homem só. Tá focado nesse projeto? Vem mais coletâneas? O que podemos esperar de Marivan e da UGK Disccos?
Marivan-Podem esperar mais volumes da série ROCK SOLDIERS, inclusive já estou começando a agendar as bandas pra edição 37.
O meu projeto AziAguS do qual lancei o primeiro álbum "O ÚLTIMO PREGO DO CAIXÃO" (2021) e o mais recente "MUITA COISA ACONTECENDO AO MESMO TEMPO" (2026), segue firme e forte e penso futuramente em lançar o terceiro.

Marivan com os dois CDs lançados do seu projeto AziAguS

CD da AziAguS - Clique na imagem para ampliar

Aqui na minha cidade tem muita banda de rock cover de uma garotada nova (tem de uns tiozão também), enfim, qual conselho você daria pra essa galera em relação ao registro autoral?
Marivan-Eu aconselho a usar o cover só se você depende ou ganha com isso ou no máximo incluir alguns deles no meio de seu repertório autoral, porque o mais importante é você criar sua própria arte, sua música, porque fuder com o pau dos outros é complicado!

Marivan, obrigado por disponibilizar seu tempo pra falar com os (poucos) leitores do blog! O espaço é seu pra falar sobre o que quiser!
Marivan-Agradecer de coração por ceder esse espaço, pois divulgação, seja ela qual for, nunca será demais. E sei de músicos que vivem de tocar cover, mas que não abrem mão de criar sua própria arte.
OBRIGADO!LONGA VIDA AO ROCK AND ROLL !

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